Renan diz que Senado também deve derrubar decreto que cria conselhos populares

Por Tercio Braga
Para Renan, o decreto sempre foi polêmico e a derrubada pela Câmara nada tem a ver com o resultado das eleições | Antônio Cruz/ABr Para Renan, o decreto sempre foi polêmico e a derrubada pela Câmara nada tem a ver com o resultado das eleições | Antônio Cruz/ABr

Derrubado na segunda-feira na Câmara, o decreto que cria os conselhos populares começou a tramitar nesta terça-feira no Senado sob a ameaça de ser novamente derrotado.

O presidente da Casa, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), foi enfático: “a criação da Política Nacional de Participação Popular, feita por decreto, não encontra respaldo no Congresso.”

A primeira derrota da presidente Dilma Rousseff após ser reeleita foi atribuída pelo governo a uma ala do PMDB, mas não foi tratada como uma rebelião.

“Não vale nada. A derrota não nos abate. É simplesmente uma teimosia”, minimizou o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho. “Foi a vitória da vontade conservadora de impor uma derrota política à presidente.”

Renan respondeu às declarações do ministro. “Sinceramente, mais uma vez, o ministro Gilberto Carvalho não está sabendo nem o que está falando”, atacou.

Somente após a consulta aos líderes de cada partido, o presidente do Senado definirá quando o tema será votado. O governo ainda avalia se insistirá na proposta, que prevê submeter à avaliação de conselhos populares todas as políticas públicas. A medida encontra resistência, já que os parlamentares entendem que há uma diminuição da competência do Congresso.

 

Câmara

Nos próximos 95 dias, os deputados entrarão em campanha para escolher o novo presidente da Câmara, que tomará posse em 2 de fevereiro.

As primeiras movimentações apontam para pelo menos quatro candidatos e um possível fim do revezamento no cargo entre PT e PMDB, costurado desde 2010.

Apontado como favorito para presidir a Casa, o líder do PMDB, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), já prepara a pré-candidatura e tenta montar um “blocão” com PR, PP, PSC e PTB. A tentativa é  isolar o PT, que terá 70 deputados, a maior bancada da Câmara, o que daria o direito a indicar o presidente.

“Não há uma boa harmonia para que o PT consiga impor uma candidatura”, afirmou Cunha, citando a derrubada do decreto que criava os conselhos populares.

Um briga interna no PT pode ameaçar o direito de maioria na Câmara. Marco Maia (PT-RS), que ocupou o cargo do início de 2011 ao início de 2013, busca a recondução ao posto. Ele terá a concorrência do também ex-presidente Arlindo Chinaglia (PT-SP), que ocupou a presidência entre 2007 e 2009. Chinaglia é o preferido do Palácio do Planalto.

A oposição, PSDB, DEM, SDD e PPS, decidiu se unir para ter um candidato próprio. Bruno Araújo (PSDB-PE) é um dos principais nomes. O anúncio aguarda uma posição do PSB.

Conteúdo Patrocinado
Loading...
Revisa el siguiente artículo