Dilma admite dificuldades na economia

Por Tercio Braga
Dilma disse acreditar em superação da crise / Reprodução/Band Dilma disse acreditar em superação da crise / Reprodução/Band

A presidente reeleita Dilma Rousseff admitiu na noite desta terça-feira (28) que a situação da economia brasileira “ainda é difícil”, mas minimizou os indicares de fraco crescimento citando as dificuldades enfrentadas pela Europa.

Em entrevista concedida ao apresentador da Band Ricardo Boechat no Palácio da Alvorada, em Brasília, Dilma não se mostrou preocupada com os prognósticos negativos de agências classificadoras de risco.

“Não vejo razão para medo”, afirmou a presidente. “Com (relação) à situação de outros países da Europa, acredito que o Brasil tem um setor financeiro sólido”, acrescentou, citando a crise nos bancos italianos o encolhimento de 4% no setor industrial alemão.

“É importante perceber que o Brasil tem fundamentos fortes. Os investidores internacionais mantém um grau de investimento no Brasil muito expressivo”, disse Dilma. Segundo ela, o país atualmente atrai 65 bilhões de dólares em capital estrangeiro.

Sobre a inflação crescente, a presidente também disse que atualmente o Brasil tem uma proteção externa, com reservas que atenuam as flutuações de câmbio.

“Ninguém sofre como sofria, temos reservas, elas nos protegem. Temos política de contenção inflacionária. Enfrentamos a pior seca, teremos um choque de alimentos, mas manteremos os preços”, garantiu.

Dilma mostra cautela com afirmação de Mantega sobre economia

Questionada sobre a afirmação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que sua reeleição foi uma aprovação do povo em relação à política econômica dos últimos anos, a presidente foi cautelosa.

“Nós, nessa crise, não atribuímos a conta ao povo brasileiro, como sempre foi feito”, respondeu. “Mantivemos uma das menores taxas de desemprego da história, em 4,9 %, e mantivemos a taxa de crescimento. Nesse sentido acho que houve aprovação.”

Dilma ainda disse que acredita firmemente que o Brasil “tem condição de sair desse processo de baixo crescimento”. “Nós temos uma mercado interno robusto, porque milhões de brasileiros foram para classe média”, reforçou a presidente, citando que três em cada quatro brasileiros estão hoje na classe média ou A e B.

Ela também reafirmou que pretende definir um novo ministro da Fazenda antes do final do ano, ainda em seu primeiro mandato.

Presidente fala sobre possibilidade de referendo

Na entrevista da noite desta terça-feira, Dilma também admitiu que, ao invés de um plebiscito, possa ser feito um referendo sobre a reforma política.

“Todos defendem a consulta popular”, afirmou. “Seja na forma de referendo ou plebiscito. Eles desaguam em uma Assembleia Constituinte.

No discurso da vitória, no domingo, Dilma declarou que abriria espaço ao diálogo para buscar o entendimento através do plebiscito. Na segunda-feira, no entanto, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), declarou que a realização do plebiscito era difícil e que a melhor forma seria o referendo, como ocorreu na venda de armas e munições.

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