"Desqualificar o eleitor do PT é lamentável", diz cientista político

Por Carolina Santos
Dilma Rousseff foi reeleita no segundo turno | Paulo Whitaker/Reuters Dilma Rousseff foi reeleita no segundo turno | Paulo Whitaker/Reuters

Após a vitória de Dilma Rousseff (PT) contra Aécio Neves (PSDB) no segundo turno das eleições presidenciais, milhares de mensagens preconceituosas contra os nordestinos (principal reduto petista na votação) foram publicadas nas redes sociais Twitter e Facebook, principalmente.

Para o cientista político Pedro Fassoni, da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), este tipo de atitude do eleitorado deve ser repudiado. “É lamentável tentar desqualificar o eleitor do PT, associando às pessoas com menor grau de instrução. De 58 universidades federais, 54 reitores declararam voto em Dilma. São doutores com elevado grau de escolaridade”, explicou.

No decorrer da eleição, o ex-presidente Fernando Henrique Cardozo chegou a declarar que o PT se beneficiava do voto dos menos instruídos. Posteriormente, ele gravou um vídeo para desmentir. “O FHC deu uma declaração infeliz”, afirma Fassoni. “Em 1994 e 1998 ele teve boa parcela dos votos dessas classes. É um argumento construído que mostra que ‘quando você vota em mim, é esperto, mas quando vota no adversário, é ignorante’. Isso repercutiu muito mal”.

Sobre a distribuição dos votos, Aécio teve uma vitória considerável em São Paulo. Para Fassoni, o resultado mostra um sentimento antipetismo. “Isso faz parte da divisão geográfica. Em outros países é normal eleições com pequena margem de diferença. O fato é que São Paulo mostra um reduto de oposição conservadora no Brasil. O PSDB venceu no Senado, Governo do Estado, fez uma boa bancada de deputados, muito mais pelo sentimento antipetismo do que pelos méritos dos candidatos do partido”.

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