Economia, o grande desafio do segundo governo Dilma

Por Carolina Santos
Uma das principais missões do governo é recolocar o Brasil  no caminho do crescimento  | Divulgação Uma das principais missões do governo é recolocar o Brasil no caminho do crescimento | Divulgação

Uma das principais missões do novo governo de Dilma Rousseff (PT) será recolocar o Brasil no caminho do crescimento – a petista foi reeleita neste domingo após vencer Aécio Neves (PSDB). Os números econômicos deste ano não são animadores. A previsão de crescimento está em apenas 0,3% e o governo trabalha duro para não perder o controle da inflação, que opera no teto da meta definida pelo Banco Central (BC) – em 6,5%.

As turbulências no mercado fizeram com que Dilma anunciasse durante a campanha que Guido Mantega não continuaria como ministro da Fazenda. O nome do substituto ainda não está definido. Especialistas falam em Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central, Nelson Barbosa, desafeto de Mantega e amigo do ex-presidente Lula, Aloizio Mercadante, ministro licenciado da Casa Civil, e Otaviano Canuto, consultor do Banco Mundial, também são cotados. No entanto, dentro do PT existe uma linha que defende outros nomes.

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Para o economista e professor da Mackenzie, Josilmar Cordenonssi Cia, o perfil do novo ministro deve ser de alguém que recupere a credibilidade do governo com os investidores. “O problema todo está na credibilidade. Tem de ser um nome forte, para que a Dilma não promova interferências no ministério da Fazenda. O Henrique Meirelles pode se esse nome, mas ao mesmo tempo ele não tem vivência para o lado político, para lidar com a base governista”, afirma.

A vitória de Dilma provavelmente deixará o mercado tenso nesta segunda-feira. A reação da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) deve ser de queda, assim como ocorreu quando as pesquisas eleitorais indicavam vitória da petista. O dólar subiu bastante no período eleitoral e é cotado a R$ 2,45. Especialistas acreditam que a moeda pode variar entre R$ 2,30 e R$ 2,60 até o fim do ano.

Cordenonssi diz que a reação do mercado é justificada pela linha adotada pela presidente. “Sem dúvida, a Bolsa deve cair e o dólar subir nesta segunda”, prevê. “Até agora, a única coisa foi a saída do Mantega. Do jeito que está, ela sinaliza para o continuísmo. Se ela colocar o Mercadante na pasta, vai passar sobre ele como um trator nas decisões. É um temor que o mercado está antevendo, que o novo ministro não tenha autoridade para questionar a presidente”.

Os rumos que Dilma empregará na economia em seu novo governo são um mistério. Certo é que a presidente deve apertar os gastos para controlar a inflação. A própria petista admitiu ao longo da campanha que “não existia mágica” para controlar os preços.

Se os “novos rumos” do governo Dilma darão confiança para atrair investimentos e, de certa forma, irão controlar a inflação, é algo que terá de ser comprovado na prática. “A Dilma não apontou como irá conduzir a economia. Se ela tiver um cheque em branco do PT, vai para o buraco. É o mesmo que aconteceu com Venezuela e Argentina, claro que num patamar menor. Uma solução, talvez, seria colocar o próprio Lula na pasta, cercado de economistas, para recuperar a confiança do setor”, analisa o professor.

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