Dilma é reeleita por mais 4 anos após disputa mais acirrada da história

Por Carolina Santos
A presidente reeleita Dilma ao lado do ex-presidente Lula, durante o discurso da vitória | Ueslei Marcelino/Reuters A presidente reeleita Dilma ao lado do ex-presidente Lula, durante o discurso da vitória | Ueslei Marcelino/Reuters

Na eleição mais acirrada desde a redemocratização do país – em 1989, Fernando Collor bateu Lula por 53%  a 47% –, a presidente Dilma Rousseff foi reeleita com 51,6% (54,5 milhões) dos votos válidos e governará o país até 2018. O tucano Aécio Neves ficou com 48,4% (51 milhões).

O resultado das urnas mostra um país dividido. Dilma obteve grande vantagem nas regiões Norte e Nordeste. Aécio venceu na região Sudeste, mas a dianteira não foi suficiente. O tucano obteve uma vitória estrondosa em São Paulo, 64,3% a 35,7%, ou seja 6,8 milhões de votos a mais. Mas Dilma ganhou em Minas Gerais (52,4% a 47,6%), Estado que Aécio governou por dois mandatos, e no Rio de Janeiro (54,9% a 45%,1). Nos dois Estados, ela alcançou uma dianteira de 1,3 milhão de votos. E isso acabou sendo decisivo para a reeleição da presidente, que assim garante ao PT um ciclo de 16 anos no poder.

O desempenho de Dilma ficou abaixo do registrado há quatro anos, quando ela foi eleita com 56%, ante 44% do então candidato do PSDB, José Serra.

Segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), 112,6 milhões de brasileiros votaram, o que equivale a 78,9% do eleitorado (142,8 milhões). O índice de abstenção (21,1%) ficou ligeiramente abaixo do registrado no primeiro turno, quando 21,5% não compareceram às urnas. Votos em branco caíram de 2,3% para 1,7% e os nulos subiram de 4,4% para 4,6%.

A demora do TSE em divulgar os resultados, por conta do fuso horário do Acre, provocou uma onda de boatos nas redes sociais.  Adeptos das duas candidaturas cantavam vitória, citando dados que teriam sido obtidos no TSE. Às 20h, o tribunal começou a divulgar os resultados. Às 20h27, com 98% das urnas apuradas, a eleição já tinha um vencedor. Em seu perfil no Twitter, Dilma postou  mensagem de agradecimento aos eleitores e uma foto com a frase: “Dilmais 4 anos”.

A comemoração, em Brasília, contou com a participação de seu padrinho político, o ex-presidente Lula. Possível candidato à presidência em 2018, Lula foi homenageado e abraçado por Dilma. “O calor da disputa deve ser agora transformado em um novo motor do crescimento do Brasil. Com a força desse sentimento mobilizador, é possível encontrar pontos em comum para fazer nosso país avançar.” 

Assista ao discursode Dilma após vitória nas eleições:

Ex-guerrilheira governará país por oito anos 

Nascida em Belo Horizonte (MG), em 14 de dezembro de 1947, Dilma Vana Rousseff é filha de um imigrante búlgaro e de uma professora. Aos 16 anos, começou na vida política, integrando as organizações Colina (Comando de Libertação Nacional) e Var-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária Palmares).

Presa pela ditadura, ficou detida entre 1970 e 1972 em São Paulo, onde foi torturada. Em 1973 é solta e conclui os estudos em Ciências Econômicas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. À época, ajudou a fundar o PDT no Estado, junto com o marido Carlos Araújo. Em 1976 nasce sua única filha, Paula.

Em 1986 foi nomeada secretária da Fazenda de Porto Alegre. Participa da campanha de Leonel Brizola ao Palácio do Planalto em 1989. Em 1993, torna-se Secretária de Energia, Minas e Comunicação do Rio Grande do Sul. Em 1998, inicia o curso de doutorado em Economia na Unicamp, mas não chega a apresentar a tese. Antes de se filiar ao PT, em 2001, Dilma ainda ocupou o cargo de secretaria de Energia, Minas e Comunicação do RS. Em 2002,  é convidada a participar da equipe de transição entre os governos de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e Lula (2003-2010).

Com a posse dele, torna-se ministra de Minas e Energia. Em 2005, assume a Casa Civil. Em 2010, escolhida por Lula para sucedê-lo, é eleita presidente, a primeira mulher a ocupar o cargo. Agora, apesar das dificuldades enfrentadas dentro do próprio PT, garantiu a hegemonia do partido por mais quatro anos.  

Eleitores de Marina ficaram divididos

Os resultados do segundo turno mostram que os 22,2 milhões de eleitores de Marina Silva (PSB), terceira colocada no primeiro turno, ficaram divididos entre PT e PSDB. Apenas em São Paulo, o tucano conseguiu conquistar expressiva maioria entre os eleitores que haviam optado por Marina no dia 5 de outubro.

Com isso, ele venceu em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, por 64,3% a 35,7%.  No primeiro turno, o tucano havia recebido 44,2% dos votos dos paulistas. Já em Minas e no Rio de Janeiro, os votos da candidata do PSB acabaram diluídos, o que garantiu a vitória da candidata do PT. Outro revés do tucano ocorreu em Pernambuco. Apesar de Aécio ter o apoio da família de Eduardo Campos, Dilma venceu por 70% a 30%.

VotaçãoComo no primeiro turno, o Nordeste foi decisivo para a vitória da candidata do PT. Em 6 dos 9 Estados da região, ela teve 70% ou mais dos votos válidos. Nos outros três Estados, teve mais de 60%. 

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