Dilma e Aécio definem alvos na reta final da eleição

Por fabiosaraiva
Dilma Rousseff e Aécio Neves disputam cada voto no segundo turno da eleição | Paulo Whitaker/Reuters Dilma Rousseff e Aécio Neves disputam cada voto no segundo turno da eleição | Paulo Whitaker/Reuters

selo-eleicao-metro-eleicoes-2014-150Dentre os 142.822.046 votos em disputa no domingo, os candidatos à presidência Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) miram os três maiores colégios eleitorais: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro que, juntos, representam 41,5% do eleitorado, ou 59,3 milhões de votos. A avaliação é de que um bom desempenho nos três Estados pode ser decisivo na reta final.

Os trackings dos presidenciáveis — pesquisas internas feitas diariamente pelas campanhas — mostram que é real a chance de uma decisão voto a voto.

Os candidatos tentam diminuir a histórica margem de 10% de brancos e nulos e atrair o voto do eleitor que decide a caminho da seção eleitoral — apontado como responsáveis pelas distorções entre as pesquisas e o resultado das urnas em 5 de outubro.

Estratégias

Em São Paulo, Aécio venceu com 44%, mas busca uma margem superior a 50%. No Estado, Dilma tenta ampliar o índice para pelo menos 35%, 10 pontos percentuais acima da votação do primeiro turno.

Em Minas Gerais, foco dos debates, a petista venceu, mas o tucano acredita que pode virar apostando na popularidade da sua época de governador.

No Rio de Janeiro, Dilma conta com os palanques de Luiz Fernando Pezão (PMDB) e Marcelo Crivella (PRB). Já o tucano espera apoio maciço dos 2,5 milhões de votos dos eleitores de Marina Silva (PSB) no Estado. O Ibope, porém, mostra Dilma com 56% e Aécio com 44%.

Ontem, o TSE aprovou o direto de resposta aos candidatos no sábado, um dia antes da eleição. A medida tem como objetivo evitar ataques mais duros no último dia de programa eleitoral, na sexta-feira.

Intolerância é marca dessa eleição

Os amigos Giulia e Daniel, durante reunião da universidade | Arquivo pessoal Os amigos Giulia e Daniel, durante reunião da universidade | Arquivo pessoal

Alguns dizem que nunca antes na história recente do país uma eleição foi tão acirrada como essa. E o clima de Fla-Flu entre os eleitores de Dilma Rousseff e Aécio Neves muitos vezes acaba descambando para a falta de respeito, provocando brigas entre pais e filhos e rompimentos de longas amizades.

A publicitária Jessyca Ferrari, 23 anos, viu uma amizade de seis anos acabar por conta de desentendimentos políticos. “Minha amiga, que vota no Aécio, postou que a Luciana Genro iria apoiar a Dilma. Fiz um comentário dizendo que ela devia pesquisar antes de falar e ela me bloqueou.”

Jessyca diz que no começo ficou chateada com o desentendimento, mas “acho que se uma amizade de anos pode acabar por algo tão pequeno, é porque não vale a pena”, afirma.

Mesmo com o episódio, a publicitária diz que vai continuar discutindo sobre o assunto com os amigos. “A política é pra todos nós. Então é importante debater qual candidato será o melhor para todos e entender os pontos positivos e negativos de cada lado”.

TCC

Os estudantes Giulia Barros e Daniel Bocatto, ambos de 21 anos, precisaram se comprometer a não falar mais de política para que o grupo de seis estudantes da Universidade Metodista pudessem concluir o TCC (Trabalho de Conclusão de Curso).

Durante um reunião, Giulia disse que não concordava com as políticas sociais do governo Dilma.

“O país se divide entre aqueles que recebem os benefícios e aqueles pagam impostos para bancar tudo isso”. Daniel discordou da colega e a discussão levou mais de uma hora.  “Só serviu para estressar essa discussão. Acredito que o dinheiro destinado às políticas sociais ajudam muitas pessoas que não têm nem o que comer”, disse Daniel, que vai votar em Dilma no domingo.

Para evitar que o trabalho fosse prejudicado, o grupo fez um acordo: não se fala mais de política nem de eleição.

Incomodado com o clima de intolerância, o professor de Direito José Maria Rodrigues Neto criou no Facebook a campanha “Não destrua as amizades por causa da campanha eleitoral! Tenho minha opinião e respeito a sua. Viva a democracia”. A campanha foi compartilhada por mais de 460 mil pessoas.

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