Justiça Federal absolve Alberto Youssef de lavagem de dinheiro do tráfico

Por lyafichmann
Youssef foi preso na Operação Lava Jato da Polícia Federal | Sérgio Lima/Folhapress O doleiro Alberto Youssef é um dos investigados na operação | Sérgio Lima/Folhapress

Na primeira sentença da Operação Lava Jato, o doleiro Alberto Youssef foi absolvido nesta terça-feira pela Justiça Federal no Paraná do crime de lavagem de dinheiro associada ao tráfico de drogas.

Ele foi acusado de usar seu escritório em Curitiba (PR) para mediar a transferência de US$ 36 mil da Europa para a Bolívia. O dinheiro teria sido usado para venda de cocaína.

O juiz da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, Sérgio Moro, acatou o parecer do Ministério Público Federal, que apontava falta de provas. Outras três pessoas foram condenadas (veja ao lado). Rene Luiz Pereira, Carlos Habib Chater e André de Catão de Miranda poderão recorrer da decisão.

O caso foi descoberto em novembro do ano passado após a Polícia Federal apreender em Araraquara (SP) 698 quilos de cocaína. Por meio de doleiros foi movimentado um total de US$ 124 mil, que deveria ser usados para comprar mais droga.

os condenadosA Justiça apontou que a negociação de droga usava uma empresa de fachada em Curitiba e o Posto da Torre, em Brasília, apontado pelas investigações como local usado para o pagamento de propina para políticos.

Delação premiada

Youssef seguirá preso porque é réu em outras quatro ações penais. O doleiro assinou um acordo de delação premiada para contar detalhes do esquema de lavagem de dinheiro, cujo valor é estimado em R$ 10 bilhões. O benefício precisará ser aceito pela Justiça.

A sentença também determina o bloqueio de bens de Chater no mesmo valor da negociação da cocaína, US$ 124 mil. 

Auxiliar de doleiro aponta pagamentos a outros tucanos

Além do ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra – morto em março – outros parlamentares do partido teriam recebido propina do esquema de lavagem de dinheiro. Em depoimento à Justiça, o ex-dono do laboratório Labogen, Leonardo Meirelles, apontou senadores e deputados tucanos, um deles da região de Londrina (PR), onde atuava o doleiro Alberto Youssef. A revelação foi publicada ontem pelos jornais “Folha de São Paulo” e “Estado de S. Paulo”.

Os nomes dos envolvidos não foram divulgados pelo depoente porque a Justiça Federal do Paraná não tem poder para investigá-los. Por terem foro privilegiado, os parlamentares citados só podem ser julgados pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

O laboratório era usado pelo esquema para fazer importações fictícias. O PSDB nega envolvimento nas acusações.

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