Na reta final, candidatos buscam aumentar a rejeição do adversário

Por Carolina Santos

No segundo turno existe muito mais uma tentativa de aumentar a rejeição do adversário do que a de conquistar votos, segundo análise do diretor do Datafolha, Mauro Paulino. Isso explicaria o tom agressivo adotado nas campanhas tanto de Dilma Rousseff (PT) como na de Aécio Neves (PSDB). E por um motivo que tende a se arrastar até a véspera da eleição: os dois candidatos aparecem tecnicamente empatados nas pesquisas de intenção de voto.

“Em um cenário inédito desses, de disputa empatada desde o início, qualquer detalhe pode decidir as eleições”, aponta o diretor do Datafolha – instituto que só nesta semana deve divulgar quatro novas pesquisas de intenção de voto para as eleições presidenciais.

O índice de rejeição entre Dilma e Aécio é de apenas 4 pontos percentuais. Por isso, segundo Paulino, é vantajoso para o candidato que o eleitor do seu adversário deixe de votar, mesmo que ele não ganhe esse voto.

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A análise sobre o cenário eleitoral, a uma semana da decisão, foi feita no programa Canal Livre desse domingo e teve a participação também do cientista político e coordenador do Índice Band, Antonio Lavareda – além dos jornalistas Boris Casoy, Fernando Mitri, Ricardo Boechat e Fernando Rodrigues.

Assista ao programa:

A tendência é que os dois candidatos mantenham o tom acirrado até o final da campanha. As propagandas eleitorais e o último debate (que ocorre na noite de quinta-feira, na Rede Globo) devem continuar pautados pelas denúncias de corrupção na Petrobras e pela gestão de Aécio Neves em Minas Gerais.

Um dos indícios da continuidade também está nos resultados das pesquisas. Segundo Mauro Paulino, “o interesse pela eleição aumentou muito do fim do primeiro turno para o segundo”, período em que Dilma e Aécio elevaram o tom.

Os especialistas alertam, no entanto, para o limite da agressividade. Pesquisas qualitativas mostram que ultrapassar um determinado limite de civilidade tende a prejudicar o candidato. Por isso, Antonio Lavareda acredita que Dilma e Aécio “vão manter o tom crítico”, mas menos hostil.

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