Ex-diretor da Petrobras detalha esquema de propinas a PT, PP e PMDB

Por Nadia

Em depoimento à Justiça Federal do Paraná prestado na quarta-feira, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa acusou o tesoureiro do PT, João Vaccari, de comandar o esquema de desvio de verba da Petrobras.

Segundo ele, 3% dos contratos de diretorias comandadas por apadrinhados petistas (Serviços, Gás e Energia e Exploração e Produção) seguiam para os cofres do partido.

O ex-diretor afirmou que o esquema abasteceu também PMDB e PP, que tinham cota de 1% sobre os contratos de outras diretorias – os outros 2% iam para o PT. “O contato do PMDB se chamava Fernando Soares”, revelou. Costa afirmou que sua indicação para a diretoria de abastecimento foi um pedido do então líder do PP José Janene – que conduzia a distribuição de propina até 2010, quando morreu, e o doleiro Alberto Youssef assumiu a função.

Segundo ele, da fatia total do PP (cerca de 1%), 60% iam para o partido, 20% para despesas de envio e nota fiscal e o restante era distribuído. “70% eram para mim e 30% para Janene e Youssef. Recebia em espécie na minha casa, no shopping ou no escritório”, declarou.

Pressão contra Lula

O doleiro Alberto Youssef revelou em depoimento que o ex-presidente Lula foi pressionado para colocar Costa na diretoria da Petrobras. “Esses agentes políticos trancaram a pauta no Congresso durante 90 dias. Lula ficou louco, teve de ceder”, revelou. O doleiro afirmou ainda que se envolveu no esquema de 2005 a 2012 e fazia reuniões com Costa e políticos envolvidos no esquema em São Paulo e no Rio. Segundo ele, toda empresa que fechava contrato com a Petrobras tinham que pagar pedágio.

Outro lado

O PT negou ter recebido doações ilegais e condenou o vazamento de informações de processo em curso e em segredo de Justiça.

CPI não poderá ter acesso a depoimento, diz ministro

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Teori Zavascki negou o acesso ao depoimento que o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa cita os nomes dos políticos favorecidos pelo esquema de corrupção investigado na operação Lava Jato. O pedido foi feito pelo Ministério da Justiça e pela CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Petrobras.

Em sua decisão, Zavascki, que é o ministro relator da delação premiada no Supremo, argumenta que o depoimento não pode ser compartilhado porque o processo corre em segredo de Justiça. De acordo com ele, o sigilo só pode ser quebrado se a denúncia dos envolvidos no esquema for aceita e virar ação penal.

Zavascki já tinha negado o mesmo pedido no mês passado. Nas decisões, ele afirma que a CPI e o governo só podem ter acesso à informação que não esteja sob segredo de Justiça.

Em setembro, parlamentares integrantes da CPI se reuniram com o presidente da Corte, Ricardo Lewandowski, e com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

De acordo com o relato do presidente da CPI, senador Vital do Rego (PMDB-PB), Lewandowski e Janot negaram o acesso justificando o caráter de sigilo da documentação e afirmando que é preciso que o Supremo examine a documentação antes. Ainda não há prazo para que o tribunal julgue a denúncia. 

Em gravações feitas pela Justiça, o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, e o doleiro Alberto Yousseff deram nomes aos bois. Eles apontaram políticos e partidos beneficiados pelo esquema de corrupção na estatal.

O Partido Progressista, o PP, disse desconhecer as denúncias de Paulo Roberto Costa. Já o PMDB decidiu não se pronunciar sobre o assunto. O PT afirmou que as declarações do réu Paulo Roberto Costa são caluniosas e negou que o partido tenha recebido repasses vindos de contratos com a Petrobras. O ex-presidente Lula não quis comentar a denúncia de Alberto Youssef.

Reportagem de Valteno de Oliveira

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