Youssef deve dar detalhes do esquema de corrupção na Petrobras

Por Tercio Braga
Doleiro foi preso em março pela PF durante a operação Lava Jato | Divulgação Doleiro foi preso em março pela PF durante a operação Lava Jato | Divulgação

O MPF (Ministério Público Federal) e o doleiro Alberto Youssef – preso na Operação Lava Jato – assinaram ontem acordo de delação premiada. No documento, ele se compromete a revelar detalhes do esquema de corrupção na Petrobras.

O acordo só terá validade se for aceito pelo STF (Supremo Tribunal Federal), já que deputados são citados como beneficiários de propinas.

Youssef é réu em cinco ações. Ele foi denunciado por organização criminosa, corrupção, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

O doleiro já havia feito delação em outro caso, o escândalo do Banestado – esquema de evasão de divisas descoberto nos anos 1990.

Em março deste ano, ao ser preso pela PF, o acordo foi cancelado e a Justiça reabriu duas ações do caso Banestado contra ele. Em uma delas ele já foi condenado a quatro anos e quatro meses.

Laudo da PF divulgado ontem aponta que o consórcio CNCC, liderado pela Camargo Corrêa, repassou R$ 37,7 milhões a empresas fantasmas do doleiro. O consórcio recebeu o maior contrato – de R$ 3,4 bilhões – para as obras da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco,

Procuradores dizem que todos os pagamentos feitos às empresas de Youssef eram repasse de propina, já que essas firmas não tinham atividades que justificassem os recebimentos. Segundo eles, contratos superfaturados da refinaria eram uma das fontes do suborno distribuído pelo doleiro e pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa a políticos.

Em resposta ao jornal “O Estado de S. Paulo”, o CNCC informou que “não pode comentar vazamento ou citação de procedimentos judiciais que correm sob sigilo e aos quais não teve acesso”.


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