‘Dilma e PT fazem campanha da mentira’, afirma Marina Silva ao Metro Jornal

Por fabiosaraiva
Marina Silva | André Porto/Metro Marina Silva | André Porto/Metro

selo-eleicao-metro-eleicoes-2014-150Em queda nas pesquisas, a ex-senadora Marina Silva, candidata do PSB, decidiu partir para o ataque na reta final da campanha. Segundo ela, seus adversários estão unidos para “desconstruir” sua imagem e acabar com projeto político oferecido por sua candidatura. Com 25% nas pesquisas Datafolha e Ibope divulgadas anteontem, ela acredita que estará no segundo turno, quando terá mais tempo para apresentar suas ideias e rebater os ataques. Leia abaixo os principais trechos da entrevista concedida ao Metro Jornal.

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A senhora mudou a estratégia e partiu para o ataque contra Dilma e Aécio. É consequência da queda nas pesquisas eleitorais? 
Quando fechamos nossa aliança, estabelecemos que íamos ter uma atitude de não complacência com os erros. O que é dito agora estamos dizendo também nos nossos comícios e nas entrevistas. A diferença é que nós pegamos fatos, não construímos versões. Quando nos referimos aos escândalos que acontecem, eles estão registrados no Ministério Público, na Polícia Federal e  no Tribunal de Contas.

A polêmica sobre sua posição em relação à  CPMF (votou a favor) tem sido utilizada pelo PT e por Aécio Neves como munição para ataques. Afinal, qual foi sua posição naquela votação?
A presidente não entende o processo legislativo porque nunca foi sequer vereadora. O Aécio entende. Os dois estão fazendo isso para lançar uma cortina de fumaça em cima do verdadeiro debate. Eu votei favorável à CPMF e isso está comprovado nos anais do Congresso.

Acha que o PT prefere Áecio no segundo turno?
Os meus adversários estão unidos. PT e PSDB tentam fazer uma desconstrução do projeto político que eu represento. A presidente e o PT fazem uma campanha da mentiras. A lista de mentiras é enorme. Dizem que vou acabar com o Bolsa Família, com o Minha Casa Minha Vida, com o ProUni e com o Fies. Dilma prefere Aécio no segundo turno porque tem certeza de que pode ganhar dele.

Ao elevar o tom sua campanha não se iguala às outras?
Qual foi a mentira que eu já disse sobre a Dilma? Me digam qual foi a mentira que eu disse sobre o Aécio?  Quando me perguntaram se ela era responsável pelo roubo da Petrobras diretamente, sabe o que eu respondi? Eu disse que não. Que ela tinha responsabilidade política. Para fazer isso é preciso ter ética. E não criar versões e fatos mentirosos para destruir uma pessoa.

O próximo presidente irá enfrentar o desafio das tarifas defasadas. Como lidar com isso?
Há uma candidata que é presidente. Eu e os demais somos apenas possibilidade. Se Deus quiser, o povo brasileiro haverá de me transformar em uma realidade. Mas a atual presidente pode fazer o que precisa ser feito para que a inflação não aumente. Para que não transfira para depois das eleições o aumento dos preços administrados que ela não quer fazer em função de dividendos eleitorais. Ela não pode comprometer o futuro da nação por mais uma eleição. Vamos de forma progressiva, controlar sim a inflação, baixar os juros, fazer com que esse país volte a ter investimento. Vamos fazer isso de forma progressiva. No Brasil já tivemos duas grandes crises. O problema é que Dilma, com decisões erráticas nas políticas macroeconômica e microeconômica, levou o país para o precipício. Hoje ela é presidente, disputa a reeleição, mas já demitiu o ministro da Fazenda. É o primeiro caso de um ex-ministro em exercício. Olha a que ponto chegamos na governança deste país.

Pretende rever o sistema de reajuste do salário mínimo?
O ganho dos trabalhadores precisa ser mantido. O salário mínimo é conquista. Hoje, há uma tentativa da candidatura oficial de vender uma ideia que nós vamos prejudicar os trabalhadores e suas conquistas. Isso não é verdade, nós vamos manter as conquistas dos trabalhadores e elas não são o problema do nosso país. O problema do nosso país é a corrupção. É a má gestão, o inchaço da máquina pública. Esse é o nosso problema, e não o salário mínimo dos trabalhadores.

O próximo governo pode encarar um rombo de R$ 40 bilhões, somando Caixa, Banco do Brasil e BNDES, por conta da política de subsídios. Como vê o papel dos bancos públicos?
São fundamentais e precisam ser protegidos da influência política dos partidos. É preciso valorizar a Caixa, o Banco do Brasil e o BNDES para que eles possam fazer o investimento estratégico que o Brasil precisa na agricultura, na habitação e no desenvolvimento. O que não pode é continuar com meia dúzia de empresários que tomam 60% dos recursos do BNDES. É preciso que ele seja um banco de investimento para o conjunto de investidores e empreendedores brasileiros.

As pesquisas eleitorais traçam o seguinte cenário: a senhora subiu expressivamente ao assumir a vaga de Eduardo Campos, chegando a empatar com a presidente Dilma. Mas agora enfrenta um tendência de queda. A última pesquisa Datafolha traz a senhora com 25%, Dilma tem 40% e Aécio Neves, 20%. Quais os fatores que levaram a essa retração das intenções de voto?
Posso falar do que acontecerá no dia 5 de outubro, quando teremos a pesquisa definitiva. É nessa que eu confio 100%. As demais dão uma contribuição para o debate político.

Em relação à reforma política, a sra. é a favor da cláusula de barreira, que reduziria o número de partidos?
Assumimos o compromisso de trabalhar pela reforma política. Somos favoráveis ao financiamento público de campanha, à ideia de candidaturas independentes para que pessoas possam participar do processo, que não seja apenas um monopólio dos partidos. E queremos o fim da reeleição, com mandato de 5 anos. Eu ficarei apenas 4 anos, porque não se muda as regras durante jogo. O que tem de mais grave no Brasil é de fato o envelhecimento da política. Temos um governo altamente envolvido em corrupção, que  se recusa a apresentar um programa. O candidato do PSDB também.

A sra. está sendo bombardeada pelo PT por defender a autonomia do BC (Banco Central). No seu governo, como seria a relação do Executivo com esse Banco Central para a definição da taxa de juros?
Nós somos pela autonomia do BC e, em 2010, eu defendi isso. A Dilma também, mas sem fazer autocrítica mudou de opinião ao sabor das eleições. Nós estamos estudando qual é o melhor modelo. Obviamente que a indicação da diretoria do BC é do presidente da República. A aprovação é do Congresso. Mas ainda estamos estudando. O problema é que a política econômica ficou tão desacreditada e o BC teve tanta interferência política que Eduardo Campos entendeu que seria preciso institucionalizar a autonomia do BC.  O presidente Lula também defendeu a autonomia. Em seu governo, o presidente do BC ganhou status de ministro. Um BC autônomo é para evitar que a inflação aumente e prejudique o salário de quem tem menos.

A saúde é o maior problema do país para 60% dos brasileiros, segundo o Datafolha. Como melhorar esses índices?
Temos uma conquista da Constituição de 88, que é o SUS. Em função de tantas politicas erráticas nesses 20 anos de PT e PSDB, o SUS hoje vive uma crise grave. Boa parte das atribuições que foram passadas aos Estados e aos municípios não contam com o mesmo suporte de recursos. Pessoas estão morrendo na frente dos hospitais, mulheres tendo seus filhos sem nenhuma assistência. Nossa proposta é de aumentar os recursos e melhorar a qualidade da gestão em saúde. Vamos destinar 10% da arrecadação bruta para investir em saúde. Vamos investir também em educação para formar mais médicos. Vamos preservar o Mais Médicos, e aperfeiçoá-lo.

O Estado brasileiro é grande e caro. São 39 ministérios e uma infinidade de cargos. Pretende manter esse número? 
Defendemos o Estado necessário, capaz de mobilizar o melhor de si mesmo, o melhor dos movimentos sociais, o melhor da academia, o melhor da iniciativa privada. Um Estado que mobilize o que há de melhor para o atendimento dos serviços que sociedade brasileira exige que ele preste. Nós vamos sim diminuir o número de ministérios, de forma responsável. Estamos estudando com profundidade e quando chegarmos ao governo haveremos de fazer preservando tudo que é essencial para a proteção dos interesses da sociedade brasileira. Hoje são 39 ministérios. E só não se cria mais um porque se tem um grande constrangimento simbólico de não ter 40 ministérios. Isso é em função do desgaste e atraso na política em que a presidente Dilma, que não tem uma prática de diálogo com o Congresso Nacional, terceiriza isso para outras pessoas. É obrigada a tirar ministérios para entregar para supostos aliados que ficam por lá. Cinco deles foram demitidos por corrupção e todos eles já voltaram, foram readmitidos.

O caso de corrupção da Petrobras tem uma ligação com a base aliada do partido hoje no governo, segundo as investigações da PF. Como evitar que esses casos ocorram? Como impedir que a relação entre o Executivo e o Legislativo seja pautada pela troca de favores e de cargos?
Em primeiro lugar não é só do Congresso. Quem nomeou os diretores da Petrobras? Quem era presidente do Conselho da Petrobras? Então é preciso que se tenha clareza. Existem responsabilidades políticas em relação a uma pessoa que ficou durante 12 anos ocupando uma função, fazendo os desvios, e que somente por causa de uma investigação da Polícia Federal foi pega. A PF não fez isso porque o governo pediu. Faz porque tem autonomia. Ela deve ter essa autonomia. Deve ser equipada e valorizada para fazer esse trabalho. Um policial federal não é funcionário de governo, é do Estado brasileiro. Do mesmo jeito que o MP (Ministério Público) pertence ao Estado brasileiro, para proteger os interesses do país. Evitar corrupção é você combinar a escolha correta, ter sistemas transparentes de acompanhamento da gestão pública, deixar que o Ministério Público e o Tribunal de Contas da União façam o seu trabalho. O bom governante é aquele que não vê essas instituições como inimigas, mas como amigas da boa gestão.

Seu plano de governo indica o centro de meta de inflação em 4,5%. Como é possível chegar nesse patamar sem mudar a política de preços controlados, como energia e combustíveis?
Nós vamos recuperar a credibilidade do Brasil. Esse é o problema mais grave. É muito interessante. É a primeira vez neste país que quem está no governo, toda vez que sobe nas pesquisas faz desvalorizar as ações da Petrobras e cria uma situação de desconforto para os investidores. Nós vamos recuperar a credibilidade do Brasil. O Brasil vai voltar a ter investimento, vai controlar a inflação, vai diminuir juros. Vamos manter os investimentos essenciais em saúde, educação, segurança, Bolsa Família, tudo isso nós vamos manter. O que precisa ser feito é o dever de casa que o governo federal não fez quando deveria ter feito. Em 2008, enquanto todo mundo estava fazendo o dever de casa, pagando o preço da crise, a presidente Dilma fez de conta que estava tudo bem. Em 2011, em vez de fazer o que precisava ser feito, não fez. Por interesses políticos e imediatistas, tratou a crise como se fosse uma marolinha. Agora todos estão saindo do tsunami e o Brasil está sendo tragado por ele.

Qual é a primeira medida que a senhora vai tomar como presidente do Brasil?
A medida tem a ver com uma decisão que já foi tomada pelos cidadãos brasileiros. Mudar a qualidade da política. Essa prerrogativa quem vai ter é a sociedade brasileira. Nós vamos chegar lá com esse termo de referência. É assumir publicamente que vamos fazer de tudo para melhorar a qualidade da política na relação com o Congresso, com a sociedade e com as estruturas do Estado.

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