‘Dilma perdeu a capacidade de gerir o país’, diz Aécio ao Metro

Por Tercio Braga

selo-eleicao-metro-eleicoes-2014-150Com 19,8% das intenções de voto na pesquisa CNT/MDA divulgada nesta segunda-feira,  o candidato  Aécio Neves (PSDB) acredita que ainda é possível superar Marina Silva (PSB), que tem 25,2% no mesmo levantamento, e garantir uma vaga para enfrentar a presidente Dilma Rousseff (PT)  no segundo turno. O tucano afirma que sua candidatura é a única capaz de oferecer uma mudança efetiva na condução do país,  com destaque para a transparência na área fiscal. “Eu antecipei nossa escolha para ministro da Fazenda, o Armínio Fraga. Enquanto isso, a presidente anunciou quem não será seu ministro da Fazenda. Essa é a diferença.”  Em entrevistas às rádios Bandeirantes e BandNews FM, e ao Metro Jornal, ele prometeu, ainda, reduzir os investimentos nos países vizinhos que não combaterem o tráfico de drogas, e apoiar uma mudança na legislação para que menores que cometem crimes hediondos tenham punição mais rigorosa.  Leia abaixo os principais trechos da entrevista.

Por que o eleitor deve escolher o senhor dentre os demais os candidatos? 

A população já concluiu que não basta apenas mudar, é preciso escolher alguém que funcione. O próximo ano não será para amadores. Não há espaço para aventuras. O atual governo perdeu a capacidade de gerir o país, não tem mais a confiança dos mercados. O eleitor sabe que nossa candidatura é capaz de retomar essa confiança.

Mas mesmo em Minas, seu reduto eleitoral, o sr. aparece empatado com a presidente Dilma nas pesquisas.

Minas está comigo. O Estado aprova nossa gestão. As últimas pesquisas mostram que estou à frente da presidente Dilma. O próprio PT reconhece os avanços do meu governo em Minas, principalmente na educação.

Sua campanha tem reforçado que o próximo presidente terá que tomar medidas amargas em 2015. Quais serão elas, e como não afetar a geração de empregos?

Infelizmente as medidas amargas foram tomadas por esse governo. Estamos em recessão, não existe em qualquer país um quadro recessivo gerando emprego. Os últimos seis meses, segundo o IBGE, foram os piores na comparação com os últimos dez anos anteriores. A indústria desemprega a cada mês. O Brasil virou o país de pleno emprego de dois salários mínimos. Essa é a transformação que vamos querer?  Aquilo que nos espera lá na frente é extremamente grave. Nós estamos perdendo credibilidade.

Olhando para esse cenário de crise, como fará para controlar a inflação, baixar a taxa de juros e elevar o nível de investimento?

O próximo ano já está precificado. Para retomar a confiança dos investidores e dos mercados é preciso mostrar regras claras, sinalizar com transparência. Qual foi nosso passo nesse sentido? Apresentar o nome da nossa escolha para ministro da Fazenda, o Armínio Fraga. Isso mostra que temos previsibilidade. A inflação se move por expectativa. O empresário eleva seus preços quando não há transparência nas regras futuras. Enquanto isso, qual é a sinalização da presidente? Anunciar quem não será o seu ministro da Fazenda. Essa é a diferença básica entre os projetos.

Previsibilidade. O senhor tem usado essa palavra com frequência. Como o eleitor pode entender o seu significado e o impacto na sua vida?

Aécio Neves: Aécio Neves: ‘Nossas propostas não foram elaboradas do dia para noite, sem consultas e para uma aventura. É um programa que retrata as experiências dos nossos governos’ | André Porto/Metro

Nossas propostas não foram elaboradas do dia para noite, sem consultas e para uma aventura. É um programa que retrata as experiências dos nossos governos. Temos propostas factíveis para a educação, saúde e para o desenvolvimento sustentável do país. Nossa preocupação com a inflação não vem de agora. Veja o caso da Marina, hoje preocupada com o crescimento da inflação. Lembro dela dentro do PT combatendo o Plano Real, votando contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, portanto, contra o fim da inflação que foi o maior flagelo que os brasileiros tiveram. Previsibilidade é isso. Todos sabem nossas posições e como lutamos para colocar o país em ordem a partir do governo do ex-presidente FHC.

Mas como será possível elevar as taxas de investimentos a partir de 2015? 

Hoje, a taxa é de 18% do PIB. Minha meta é chegar a 24% até o final do governo. Isso é possível deixando de demonizar as parcerias com o setor privado, como o atual governo faz. Nenhuma outra candidatura tem capacidade de sinalizar sua capacidade de retomar os investimentos. Olha a Marina, ela diz que vai governar com os melhores. Buscar um no PSDB ou no PT. Quando foi ministra, ela governou com o PT. Nosso primeiro time não está disponível para isso. Temos um projeto claro e ouvimos os melhores nomes em cada área para definir nossa estratégia. Não somos uma aventura.

Apesar desse quadro apresentado pelo senhor, a presidente segue à frente nas pesquisas. Como avalia essa situação?  

O meu conforto é que os números da presidente no primeiro e no segundo turno são muito próximos. Ela já atingiu no primeiro turno grande parte do que terá no segundo. Porque a rejeição muda 4 ou 5 pontos. A rejeição é muito grande. Eu acredito que quem tem a capacidade de fazer um governo que funcione somos nós.

No caso de São Paulo, o sr. acha que a aliança do governador Geraldo Alckmin com o PSB da Marina tem prejudicado seu desempenho no Estado? 

É preciso fazer Justiça com o governador Alckmin. Ele é um grande parceiro. Alckmin recebe apoio de outras forças políticas, o que eu respeito. Temos uma ótima sintonia. É preciso destacar que, se eleito, vamos  construir parcerias com São Paulo nas áreas de transporte e segurança, entre outras. Minha relação com o governador é ótima.

Como atrair o eleitorado paulista?

Mostrando que nossa candidatura é a única capaz de tirar o país do imobilismo.  O país cansou do modelo petista. Nossa proposta para segurança pública, um tema tão caro para São Paulo, é a melhor. Não vou terceirizar o comando. Vou equipar a Polícia Federal e as Forças Armadas para o controle de fronteiras.

O senhor fala em transformar o Ministério da Justiça em Ministério da Segurança Pública e Justiça. Que mudança real isso acarretará?

A primeira será acabar com o contingenciamento de recursos. No atual governo, apenas 10% do Fundo Penitenciário foram executados. No caso do Fundo Nacional de Segurança, o percentual gasto chega a pouco mais de 30%. A segunda será a reorganização e modernização da Polícia Federal.

Quais medidas tomará para reduzir a entrada de drogas e de armas no país? 

Mudar a relação com os países vizinhos. Não vamos fechar parcerias ou autorizar financiamentos por parte do BNDES para quem não combater o narcotráfico. Veja o caso da Bolívia, eles produzem quatro vezes mais folhas de coca do que o consumido no altiplano. É preciso lembrar que não há plantação de coca no Brasil. Temos que fechar a porta de entrada, reforçando a presença do Exército nas fronteiras.

Qual sua posição sobre a proposta de redução da maioridade penal? 

Vou apoiar o projeto do meu vice, senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), que prevê, em casos de crimes hediondos, o julgamento do menor pelo Código Penal. Essa mudança acabará com a atual sensação de impunidade. É preciso dar atenção para os jovens em situação de risco e oferecer uma oportunidade de crescimento.

Estima-se que são realizados entre 800 mil e 1,2 milhão de abortos no país. Eleito, tratará desse problema como um tema de saúde de pública ou levará em conta preceitos religiosos?

Sempre será uma questão de saúde pública. É um assunto que o Congresso deve debater. Eu já disse que, na minha opinião, fico com a atual legislação (o aborto é permitido apenas para vítimas de violência sexual, quando é comprovado que o feto é anencéfalo ou quando a gravidez é de alto risco).

O senhor tem dito nos últimos dias que suas adversárias têm planos de governo feitos a lápis. O que isso significa? 

São as contradições apresentadas, principalmente pela candidata Marina Silva. Nosso plano de governo não terá surpresa alguma. Ele é um reflexo daquilo que praticamos em nossa trajetória política. Veja o exemplo do agronegócio.  Quado foi ministra do Meio Ambiente, ela travou qualquer tipo de iniciativa para o desenvolvimento dos transgênicos. Agora, ela tenta se aproximar dos empresários do setor. Nós sempre defendemos o agronegócio como um dos pilares de desenvolvimento da economia, o empresário do setor sabe disso.

O sr. tem dito que Marina Silva ficou muito anos no governo Lula e nunca se ouviu nenhuma palavra dela de condenação do mensalão. No entanto, do sr. também nunca se ouviu uma condenação veemente em relação ao mensalão tucano em Minas e sobre as investigações de superfaturamento no Metrô e na CPTM em São Paulo…

aecio-neves-andre-porto Fotos: André Porto/Metro

Sempre defendi que todas as denúncias devem ser investigadas. Não importa se do PSDB ou do PT. Se condenado, tem que cumprir pena. O que não está acontecendo é essa punição. E vou lhe dizer: se alguém do meu partido for condenado por qualquer desvio, deverá cumprir pena e não será tratado por mim como herói nacional, como fez o PT. Os petistas perderam a autoridade moral de governar o país. São casos frequentes de corrupção nos últimos 12 anos. Agora, colocaram em risco a Petrobras ao dar guarida para um ex-diretor (Paulo Roberto Costa) que desviou milhões dos cofres da empresa.

O sr. acha que as críticas à candidata Marina Silva são justas?

As críticas que faço a ela são absolutamente naturais na política. Ela faz críticas muito ácidas ao PT hoje, mas não gosta de lembrar que construiu sua trajetória no PT. Ocupou cargos importantes, foi ministra. E quando veio a questão do mensalão, continuou no ministério passivamente. Onde estava a nova politica naquele momento? Praticada pelo PT? Nós somos muito cobrados pela polarização. Eu repetiria exatamente o que fiz, defenderia o Plano Real, a Lei de Responsabilidade Fiscal e combateria a corrupção do PT de novo, como fiz ao longo de toda a minha vida.

Olhando para os últimos quatro anos, não faltou mais força por parte da oposição. O PSDB não deveria ter sido mais incisivo? 

Em alguns momentos, essa critica é válida. Mas não é parte do nosso perfil agir contra o país. Eu nunca fiz nenhuma campanha com ataques pessoais, na ofensa. Até fui criticado algumas vezes em relação a isso. Acho que nosso ataque, nossa oposição ao governo foi sempre contundente, só que diferente do PT. Nunca fizemos oposição ao Brasil. Nunca nos negamos a negociar coisas que eram importantes para o país. Se você retomar a história, o PT sempre escolheu a si próprio nas votações. Lembro do caso da Lei de Responsabilidade Fiscal. Todos sabíamos que ela era importante para colocar as contas do país em dia, impedir novos endividamentos por parte das prefeituras. Mas o PT foi contra e seguiu contra por pura ideologia. Essa é a nossa diferença na oposição.

Em junho de 2013, o país registrou uma série de manifestações. A população foi às ruas exigindo uma reforma política. Eleito, defenderá uma mudança no atual sistema político brasileiro? 

Talvez eu tenha sido o único candidato que apresentou uma proposta clara de reforma política. E garanto que irei conduzi-la, caso seja eleito. Ela passa, entre outras questões, pelo fim da reeleição. O mandato terá duração de cinco anos: quatro anos para trabalhar e um ano para se dedicar às eleições. A outra mudança essencial que pretendo colocar em prática é o voto distrital misto. Metade do Congresso é eleito com voto direto em cada uma das regiões brasileiras e a outra metade em listas partidárias. Isso nos permitirá levar ao Legislativo representantes dos sindicatos e intelectuais ligados à cultura, por exemplo. Também pretendo defender uma redução no atual número de partidos.

Como fará essa redução? Defenderá a adoção da cláusula de barreira?

Claro. Além da cláusula de barreira, temos que aplicar uma cláusula de desempenho. Não se governa com 32 partidos no Congresso como ocorre hoje. Fui parlamentar e sei disso. É preciso lembrar que temos mais quatro legendas com processo avançado de aprovação no TSE e mais 20 a caminho. Quem é que vai governar com responsabilidade no Brasil com esse número de partidos?

Qual número de partidos defenderá, caso leve adiante seu projeto de reforma política? 

Minha meta é reduzir o quadro político para seis ou sete partidos. Eu vou conduzir a reforma política a partir do primeiro dia do meu governo. As outras duas candidaturas se omitem em relação a este tema. Não apresentaram até o momento qualquer proposta concreta para tornar a relação entre o Executivo e o Legislativo efetivamente republicana. Ainda em 2015 vou propor o fim das coligações proporcionais. Essas medidas atenderão as demandas da população, das manifestações legítimas de junho de 2013.

O eleitor tem a sensação que os ministérios hoje servem como balcão de negócios. É possível mudar esse quadro? 

Não seria candidato se não acreditasse que é possível mudar essa situação. Não quero ser presidente para colocar um quadro na parede. A primeira medida para acabar com esse balcão de negócios é reduzir pela metade o atual número de ministérios (39). Fiz isso em Minas Gerais. Não houve indicação política para os principais cargos, mas eu tinha apoio dos parlamentares porque apresentava os resultados à população e o Legislativo era sócio dessa melhora. Temos que romper com essa mercantilização que foi além de qualquer limite no atual governo.

Qual será sua política para o salário mínimo?  

Meu compromisso claro com os brasileiros é com o reajuste do salário mínimo. Fomos nós que apresentamos um projeto com o Solidariedade para a prorrogação até 2019 das regras atuais. Agora, se não fizermos o Brasil crescer, o reajuste vai ser praticamente nulo. O reajuste de 2016 vai ser de 0,3%, 2017 vai ser 1%. Mas esse compromisso é claro, como é o compromisso com o reajuste da tabela de imposto de renda.

quem e aecio

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