Governo cria comissão de especialistas para avaliar Pnad 2013

Por Nadia
Segundo Miriam Belchior, o governo ficou chocado com erro | Tânia Rego/ABr Segundo Miriam Belchior, o governo ficou chocado com erro | Tânia Rego/ABr

O Ministério do Planejamento criou uma comissão de especialistas para avaliar a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2013, com o intuito de desfazer “quaisquer dúvidas” quanto aos dados do levantamento recentemente divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Portaria publicada nesta terça-feira no Diário Oficial da União, assinada pela ministra da pasta, Miriam Belchior, diz que a comissão avaliará os dados da pesquisa para identificar “eventual necessidade de revisão, e colaborar com a administração pública na sugestão de medidas gerenciais, processuais, tecnológicas e operacionais para prevenir ocorrência de revisão de dados”.

O prazo para a conclusão dos trabalhos será de dois meses, com possibilidade de prorrogação mediante solicitação justificada.

Na sexta-feira, o governo informou que os resultados da Pnad de 2013 referentes à renda dos brasileiros e concentração de renda no país continham erros em função da utilização uma projeção de população incorreta em sete Estados que têm mais de uma região metropolitana.

No fim de semana, a ministra do Planejamento disse que o governo iria esperar a conclusão da comissão de sindicância sobre o caso para tomar providências sobre possíveis afastamentos de responsáveis do IBGE, órgão que é vinculado ao ministério.

Segundo a portaria publicada nesta terça, a assessoria econômica do Ministério do Planejamento prestará apoio administrativo aos trabalhos da comissão, que contará com cinco membros. Fazem parte do grupo Claudio Dedecca, Diana Sawyer, Gustavo Gonzaga, Eduardo Luiz Rios Neto e Maria Paula Ferreira.

Presidente do IBGE quer permanecer no cargo

Mesmo após o erro na divulgação dos resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), a presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Wasmália Bivar, não pretende se demitir, de acordo com informações do jornal Folha de S.Paulo.

De acordo com a publicação, a avaliação interna do órgão é de que os erros eram evitáveis, mas foram rapidamente detectados e corrigidos.

Após a correção, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, disse, no sábado (20), que o governo irá esperar a conclusão do trabalho da comissão de sindicância, que irá apurar o erro para tomar providências sobre possíveis afastamentos de responsáveis do órgão. A expectativa é que nenhuma demissão ocorra até lá.

Segundo o jornal, Wasmália tem apoio da cúpula do IBGE e de boa parte do corpo técnico.

Erro

Na sexta-feira, o IBGE divulgou uma correção da análise de dados da Pnad, divulgada na última quinta-feira (18), o que levou a erro em alguns resultados das estimativas. O índice de Gini, que mede a desigualdade no país, em 2012 estava em 0,496 e, em 2013, caiu para 0,495, o que mostra redução na desigualdade, ao invés do aumento para 0,498 divulgado anteriormente.

O erro ocorreu porque foi superestimada a população das regiões metropolitanas de sete estados que têm mais de uma região metropolitana, onde foi considerado o peso da região metropolitana do estado inteiro, e não apenas o da capital. Isso influenciou no cálculo de dados como o índice de Gini. Outros dados como o rendimento da população, taxas de analfabetismo e de desocupação também sofreram alterações.

Após a correção, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, disse, no sábado, que o governo “ficou chocado com o erro”, considerado gravíssimo. Além da comissão de sindicância, um grupo de especialistas independentes irá avaliar a consistência da Pnad de 2013, para ver se há algum outro problema no estudo. Os nomes devem ser divulgados na próxima terça-feira (23).

Dilma ‘perplexa’

Segundo a ministra, ao ser informada do erro do IBGE, a presidente Dilma Rousseff demonstrou perplexidade por um erro básico como o fato de não ter sido feito um processo de checagem e rechecagem dos dados. Para a ministra, não há problemas de orçamento e de pessoal no IBGE. “Houve um problema técnico básico de não ter sido feita a checagem dos dados”, destacou.

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