‘Vou diminuir o número de secretarias’, afirma Gilberto Natalini, candidato do PV ao governo do Estado

Por fabiosaraiva
Gilberto Natalini, candidato do PV, durante entrevista ao Metro | Wanezza Soares Gilberto Natalini, candidato do PV, durante entrevista ao Metro | Wanezza Soares

selo-eleicao-metro-eleicoes-2014-150Racionamento e medidas educacionais são as medidas que o atual governador Geraldo Alckmin (PSDB) deveria ter adotado para enfrentar a maior crise hídrica que o Estado teve até agora. Tendo o desenvolvimento sustentável como principal bandeira de campanha, o candidato do PV (Partido Verde) ao governo do Estado, Gilberto Natalini, critica com veemência a atitude da atual gestão. “Não deram prioridade política à questão. Alertamos sobre isso há décadas.”

Vereador há quatro mandatos, Natalini é médico de formação e funcionário público da prefeitura desde 1988. Chegou a assumir a Secretaria de Participação e Parcerias na gestão de José Serra em 2005. Integrou o PCB antes de fundar, a convite do ex-governador falecido Mário Covas, o PSDB, mas deixou o partido depois de divergir de alguns projetos. O fato de Marina Silva (PSB) ter saído do PV não traz arrependimento ao candidato. “O que aconteceu foi que houve um embate de disputa pela direção do partido.

Para conquistar o seu eleitorado, o verde aposta em um discurso bem crítico a atual gestão. Promete combater o crime organizado, principal problema da segurança pública de São Paulo segundo ele, unificar as polícias e diminuir a corrupção na área. “O governo é no mínimo frouxo com o crime organizado”, afirma.

Vislumbra também um plano de qualificação e valorização de carreira para os professores e profissionais da educação.  Quer construir mais reservatórios para evitar as novas crises hídricas que, segundo ele, certamente virão. Na saúde, ele pretende aumentar o percentual para a verba de saúde no Estado. “O SUS sofre hoje um problema de má gestão”, pontua. Leia a entrevista completa do candidato ao Metro Jornal.    

 

Captura de Tela 2014-09-19 às 14.38.31O desenvolvimento sustentável é a principal bandeira do PV. Que avaliação faz da atual gestão da crise hídrica? Onde o governador falhou?
O governo estadual não acredita no estresse ambiental que estamos passando e não soube se preparar para a crise, justamente por não  acreditar em mudança climática ou aquecimento global. Eles não deram prioridade política para a questão e, por não saber, fizeram corpo mole.

Ele deveria ter decretado o racionamento?
Claro que sim. Também deveria ter sido sincero com a população. Racionamento não é só fechar a torneira, é ensinar as pessoas a economizar. Não é só a multa que economiza, é a educação das pessoas, a consciência. E isso se o governo não incentivar, ninguém faz.

E qual seria a solução? O senhor pretende captar água de outros locais? 
A nossa proposta é construir novos reservatórios e captar água de regiões mais distantes. O (rio) São Lourenço é uma opção. O (rio) Paraíba do Sul é outra possibilidade. Mas para captar água desse rios, é preciso recuperá-los. Também vamos aumentar o tratamento de esgoto na cidade, modernizar a tubulação da Sabesp e incentivar o uso da água de reuso em situações como lavagem de rua, por exemplo.

Em relação à segurança pública, que medidas o senhor pretende tomar, se eleito, para diminuir os roubos e aumentar os índices de crimes esclarecidos pela polícia?
Na segurança pública, vamos combater a criminalidade primeiro. A polícia tem que ser mais inteligente que os bandidos. Hoje ela não é. Sou favorável a trabalhar politicamente para unificar as polícias. Nem o banco de dados delas está unificado. Depois teria que trabalhar com a questão da qualificação e da melhoria salarial da polícia.

Mas o Estado tem dinheiro? 
Tem que ter. O aumento tem que ser vagaroso e progressivo. Isso é uma questão de prioridade de governo. Temos também que trabalhar a integridade da polícia. Hoje tem muita corrupção na polícia.

O senhor acha que o governo estadual é leniente com o crime organizado? Como a sua política de segurança vai combater o crime organizado?
Nessa questão, o governo do Estado falhou. E agora às vésperas da eleição estão correndo atrás para prender gente. Eu avalio que o crime organizado atualmente virou uma instituição, o quinto poder. Hoje, ele manda, se infiltrou, se enraizou e se espalhou pelo Brasil todo com a leniência do poder público, em alguns lugares até com o compartilhamento do poder público. Na minha opinião, é tolerância zero com o crime organizado. Isso significa trabalhar para desmantelar as quadrilhas, o que não acontece hoje.

O senhor é a favor da redução da maioridade penal?
Sou favorável a aumentar o tempo de detenção. Acho que diminuir a maioridade penal não vai colaborar. Agora, o menor não pode ficar na impunidade que está. Hoje ele está impune.

Como a sua polícia vai lidar com as manifestações de rua e com os black blocs?
Sou favorável às manifestações. No meu governo vamos dar ampla liberdade de manifestação ao povo. Agora uma coisa é sair na rua pacificamente, outra coisa e vandalismo e violência. Aí tem que se lidar com isso e a polícia sabe lidar. Não precisa criar tropa especial para a polícia lidar com isso. Na verdade, quem provoca esse vandalismo nas manifestações são forças que querem tirar o povo das ruas.

Que forças? 
É a direita misturada com setores do governo. Você acha que o governo, ou a Dilma, adoraria ver todo mês uma manifestação de 200 mil pessoas em SP cobrando coisas dela? Eles fizeram infiltração. Isso é tática de governo há 50 anos.

Como o senhor vai lidar com o MTST e grupos similares, se eleito?
Esse MTST é um braço mais virulento do PT. Faz o jogo do PT. Eu votei contra o Plano Diretor por causa da molecagem que o PT fez com o apoio do MTST. Eles foram lá na frente do Haddad e invadiram uma área de manancial. O prefeito foi no caminhão de som e mandou que os manifestantes pressionassem a Câmara a votar o plano diretor. Isso é papel de prefeito? Foi uma molecagem.

Estando o senhor com 1% nas pesquisas, o que o senhor acha de seus concorrentes? Como o senhor avalia a disputa estadual?
Eu acredito que o governo do PSDB em São Paulo já teve um certo cansaço de material. Já não tem mais grandes coisas para oferecer ao povo paulista. O Skaf é a velha política integral e maquiada. Sobre as pesquisas, acredito que as estatísticas são manipuladas. Já que tem 3 pontos para mais ou para menos, eu poderia ter 3%. Isso é um jogo de marketing.

O PV é da base do governo estadual. O senhor vai apoiar o Alckmin em um eventual segundo turno? 
O PV sempre participa do governo com o intuito de levar o seu ideário de desenvolvimento sustentável. Foi assim que fomos ao governo Alckmin. O PV já foi do governo do PT em Brasília também. O PV tem uma visão diferente que a maioria tem. Não achamos que existem só dois partidos. O Brasil é muito maior do que a dualidade PT e PSDB.

O PV também participou da gestão Haddad…
Neste caso, o PV cometeu um erro contra a minha vontade. Logo no início do mandato do Haddad indicou o secretário do Meio Ambiente para o prefeito. Como no governo anterior nós tínhamos a secretaria, fui voto vencido na indicação do Eduardo Jorge. E ele logo saiu. Sabíamos que o governo não ia corresponder do ponto de vista político àquilo que queríamos. Essas participações são normais em política.

E para a presidência, quem é o melhor candidato na sua opinião?
Eu já sei em quem eu não voto. Você está querendo arrancar uma declaração de apoio. No PT eu não voto jamais. No PSDB eu tenho dificuldades imensas de votar.

O PV se arrependeu de não estar com a Marina no partido?
Não, não tem arrependimento. Aconteceu um embate pela direção do partido. O grupo do Pena (presidente do PV) estava na liderança. Eu não participei dessa disputa. Já fiz muita luta ideológica interna em partido, sai sangue. Então fiquei afastado. Mas quero dizer que não tem nenhum arrependimento do PV e tenho certeza que não tem por parte dela também. Nossa causa é comum.

Dado da OCDE sobre o Brasil aponta que os Estados investem quatro vezes mais em universidades públicas do que no ensino fundamental e que o país vive uma crise grande no ensino médio.  Se eleito, o senhor continua a progressão continuada?
Não. Progressão continuada se definiu falida. Os alunos estão saindo das escolas como analfabetos funcionais. Então, o aluno não gosta da escola, o professor não gosta de dar aula e essa combinação mostra o resultado.

O senhor é a favor do bônus por desempenho do professor?
Sou favorável primeiro à qualificação dos professores. Hoje o sujeito vai na aula com laptop, celular e vê no google tudo o que o professor vai ensinar. Isso o deixa sem motivação. Então é preciso qualificar os professores, melhorar o padrão salarial dos profissionais da educação, que ainda é baixo, valorizar o professorado e os profissionais da educação. É preciso aumentar o tempo dos alunos na escola, fazer escola de tempo integral. Não dá para fazer de uma hora para outra, mas você pode correr com o processo colocando no contra-turno escolar atividades que não estejam no currículo formal.

Quais os seus planos para a área de educação?
Vamos ampliar o ensino técnico profissionalizante, que atrai muito o estudante porque o prepara para o mercado de trabalho. Vamos fazer mais Etecs e Fatecs. Isso também é possível fazer. Além disso, vamos mudar a maneira de avaliar o aluno.  Tem que ter avaliação diária, provas e exames. Se o aluno não aprendeu, ele tem que repetir. Não dá para passar de ano do jeito que está acontecendo. Estamos criando uma geração de analfabetos funcionais.

Sobre saúde. Que medidas o governador deve tomar para acabar com a demora para consultas e exames?
A primeira medida que tomaríamos seria em quatro anos aumentar de 12% para 15% a verba estadual da saúde. Hoje é 12%,o mínimo constitucional que o Estado impõe. Nós aumentaríamos gradualmente até chegar 15%. Isso colocaria, em 4 anos, R$ 5,6 bilhões a mais no SUS estadual. Hoje é R$ 18 bilhões e iria para R$ 24 bilhões.

E como esse aumento contribuiria para diminuir o problema da espera pelo atendimento na saúde estadual?
Com esse dinheiro a mais nós ampliaríamos o programa de saúde da família em quatro anos de 37% para 60% de cobertura no Estado. Isso seria feito em parceria com as prefeituras porque os prefeitos não têm mais de onde tirar dinheiro para colocar na saúde. Tem prefeitura pondo 35% do seu orçamento na área de saúde.

E a questão das Santas Casas?
Vamos aumentar a verba de custeio. O que o governo hoje dá do Tesouro do Estado, mas é muito pouco. As Santas Casas gastam R$ 100 e recebem do SUS R$ 60. Todo mês tem R$ 40 de prejuízo, não dá para trabalhar. Melhorando as Santas Casas, é possível  ampliar o número de leitos e a oferta de exames de especialidades diminuindo as filas para internação e para operação. Por último, os prontos-socorros. Hoje, tendo em vista que a atenção básica está muito desorganizada, a pessoa vai direto ao pronto socorro.

Na sua opinião por que esse problemas acontecem? É má gestão do atual governo?
O dinheiro é pouco para o SUS e não dá. E é claro que somado a isso tem má gestão, tem corrupção, tem desvio de verba. A gestão hoje é solta. O Estado é gestor do SUS e tem que, além de cuidar da rede dele, fazer a integração com a rede municipal. A rede municipal e estadual de saúde são enormes e, se você juntar, dá para fazer milagres. Também farei um combate feroz à corrupção e por os corruptos da saúde na cadeia. Hoje ainda tem muito desvio de dinheiro na área que passa batido pelo governo.

Falando em corrupção, o senhor acha que o atual governador é leniente com a corrupção por conta do caso das denúncias de desvios do Metrô e da CPTM?
Eu acho que o governador Alckmin é um homem ético, de bem. Mas o governo dele, do ponto de vista da moralidade pública, pisou na bola e deixou acontecer uma situação que está aí. Não é invenção de promotor. Aconteceu um problema sério nas barbas do governo do Estado.

Não foi só no governo Alckmin. A denúncia da Promotoria cita até o ex-governador falecido Mário Covas…
Sim, mas por quanto tempo o Alckmin está no poder? 11 anos. Houve sim, mas ninguém sabia disso. Eles falam que houve cartel. Cartel é uma coisa que acontece fora do governo. Mas, para que o cartel acontecesse, teve gente de dentro do governo que, sabendo, deixou seguir. Aí que mora o perigo. Os tucanos devem essa explicação ao paulista e dizer que, no mínimo, comeu bola.

O senhor é favorável a segurar a tarifa ou seguir reajustes anuais?
Não tem tarifa de graça. Se a pessoa não pagar, alguém vai pagar. O cofre público é formado pelo imposto de todos. Então quando se dá uma isenção, alguém vai pagar, porque tem o custo da manutenção, da mão de obra, do combustível. Isso também tem que ser discutido abertamente com a população. Até quanto a população quer que a tarifa seja paga com o imposto de todos ou que cada um pague sua tarifa?

O que o senhor avalia que é melhor? A conta deve ficar com o passageiro ou divididas entre todos? 
Tem que ser dividida na minha opinião. Tem um setor da sociedade que não consegue pagar e tem gente que tem muito dinheiro. Esse equilíbrio que tem que se buscar na sociedade. Não sou contra a tarifa zero, mas acho muito difícil porque você tem que ter um montante. O sistema de transporte de ônibus de SP custa R$ 6 bilhões. Se custear tudo com dinheiro do município, vai tirar de outros investimentos como em educação, saúde.

Qual seria a primeira medida que o senhor tomaria ao assumir o Palácio dos Bandeirantes?  
Diminuir de 25 para 16 secretarias. Não seria cortar, seria juntar. Por exemplo: unir a Gestão com Planejamento, juntar Energia, Recursos Hídricos e Saneamento. Ao mesmo tempo, com uma canetada extinguir 5 mil cargos públicos em São Paulo. No lugar desses apadrinhados políticos, colocar profissionais de carreira  para valorizar a carreira do funcionalismo público.

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