Polícia prende quatro por desviar aproximadamente R$ 20 milhões de cursos

Casa do ex-senador Clésio Andrade, em Belo Horizonte | Alex de Jesus/O Tempo/Folhapress Casa do ex-senador Clésio Andrade, em Belo Horizonte | Alex de Jesus/O Tempo/Folhapress

Uma ex-diretora e três integrantes da diretoria do Sistema Social do Transporte (Sest) e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Senat), foram presas temporariamente nesta sexta-feira (19), na Operação São Cristovão, que apura suposto esquema de desvio de recursos das entidades. A estimativa é que a fraude tenha desviado, entre 2011 e 2012, aproximadamente R$ 20 milhões.

Na operação, a polícia cumpriu 21 mandados de busca e apreensão em Brasília e Minas Gerais. Inicialmente, foi presa Maria Pantoja, diretora executiva do Sest/Senat entre 1995 e 2013 e que hoje trabalha em outra instituição vinculada à Confederação Nacional dos Transportes (CNT). Também foram detidas Ilmara Chaves, coordenadora de Administração, Anamary Socha, assessora especial da Diretoria Executiva, e Jardel Soares, coordenadora de Contabilidade. Conforme a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), entre 25 e 30 pessoas podem estar envolvidas no esquema. Na operação, foram apreendidos 16 veículos, entre eles alguns carros de luxo, e dois cofres.

De acordo com a polícia, o desvio de dinheiro ocorreu por meio de pagamentos elevados de gratificações a integrantes da diretoria e de contratações fraudulentas de serviços de autônomos. A Controladoria-Geral da União (CGU) constatou que os rendimentos e patrimônio das integrantes da diretoria do Sest/Senat são incompatíveis com os salários pagos. A justificativa apresentada pela direção da Confederação Nacional dos Transportes é que o elevado valor recebido anualmente pelas diretoras deve-se ao pagamento de gratificações.

A outra forma de desvio são serviços de fachada, contratados por valores superfaturados a pessoas com ligações com as diretoras. Em muitos casos, os serviços sequer foram prestados. O delegado Fábio Santos de Souza citou o caso de um lava jato de Brasília, que teria recebido, em 2012, R$ 2,5 milhões do Sest/Senat.

A polícia quer ouvir o ex-senador e ex- presidente da Confederação Nacional dos Transportes, Clésio Andrade. Para isso, já foi expedito mandado de condução coercitiva – quando o suspeito é levado a uma delegacia para prestar depoimento e liberado em seguida.

De acordo com o chefe da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Deco), Fábio Santos de Souza, é prematuro afirmar que Clésio Andrade tenha participado do esquema e recebeu dinheiro. Entretanto, salientou que há indícios de que Andrade tenha apresentado documento fraudulento para explicar pagamentos de gratificações em dinheiro para as diretoras presas. “Ele será investigado justamente por esse documento fraudado, por meio do qual busca justificar o pagamento dessas gratificações com valores entre R$ 300 mil e R$ 400 mil”, ressaltou o delegado.

A operação é resultado de investigações da Deco e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, com colaboração da CGU.

O Sest/Senat oferece atividades aos trabalhadores do setor de transportes, com recursos recolhidos, obrigatoriamente, de empresas de transportes rodoviário e de valores, locadoras de veículos e de distribuição de petróleo. A Agência Brasil tentou contato com a CNT e com o Sest/Senat, mas não obteve resposta.

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