Paulo Roberto irá à CPI sem algemas e com escolta da PF

Por Carolina Santos
Ex-diretor será ouvido na quarta-feira | Antonio Cruz/Agência Cruz Ex-diretor será ouvido na quarta-feira | Antonio Cruz/Agência Cruz

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa terá a escolta de pelo menos dois policiais federais durante o depoimento marcado para esta quarta-feira na CPI mista da Petrobras.

A autorização para saída da prisão do delator do esquema de propina paga a políticos em cima de contratos assinado pela Petrobras foi concedida pelo juíz Sérgio Moro, da 13º Vara Criminal da Justiça Federal de Curitiba, responsável pela Operação Lava Jato.

Costa conseguiu o direito de não ser algemado durante o traslado entre Curitiba e Brasília. Não foi informado se a testemunha viajará em voo comercial ou em um avião da PF (Polícia Federal)

O ex-diretor prestou pelo menos 12 depoimentos nos últimos dias como colaborador da Justiça num processo de delação premiada, que deverá permitir reduzir a pena de até 50 anos para 5 anos. Ele se comprometeu a devolver US$ 23 milhões mantidos em sete contas ilícitas na Suiça.

Medo do silêncio

Temendo que as revelações possam comprometer o acordo que prevê liberdade nos próximos dias, Costa poderá optar por ficar calado no depoimento.

Para evitar que a vinda dele seja em vão, a CPI já prepara a proposta de ouvi-lo a portas fechadas.

Compartilhamento

A CPI insistirá para que o STF (Supremo Tribunal Federal) autorize o compartilhamento dos depoimentos de Paulo Roberto Costa como parte do processo de delação premiada e que envolvem 37 políticos, entre parlamentares, ministro e governadores.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que os nomes citados como integrantes do escândalo serão analisados após formalização dos documentos que serão encaminhados pela Justiça, pelo Ministério Público e pela Polícia Federal. “Quando estiver amadurecida a investigação, nós tomaremos as decisões da melhor maneira possível”, afirmou.

Laranja solto

A Justiça do Paraná determinou nesta segunda-feira a soltura de Carlos Alberto Pereira da Costa. O advogado é acusado de ser laranja do doleiro Alberto Yousseff em negócios no Brasil e nos Estados Unidos. Ele providenciaria notas fiscais falsas de serviço de consultoria para dar legalidade à movimentação financeira feita pela GFD. Preso desde março, Carlos Alberto fez acordo de delação premiada.

Gabrielli nega ligação com acusados 

Presidente da Petrobras entre 2005 e 2012, José Sérgio Gabrielli prestou depoimento nesta segunda à Justiça do Paraná no processo sobre a operação Lava Jato e negou conhecer o doleiro Alberto Yousseff e o esquema de pagamento de propinas revelado pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa.

Gabrielli, que falou por videoconferência, disse que os diretores não tinham autonomia para fechar contratos e que os investimentos, como a da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco – que teria abastecido a lista da propina -, eram decisões tomadas exclusivamente pela diretoria colegiada.

O ex-presidente da Petrobras foi arrolado como testemunha pelo doleiro.

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