O PMDB do Skaf não tem ligação com a corrupção, diz candidato

Por Tercio Braga

Com 22% das intenções de voto na última pesquisa Datafolha para o governo do Estado, o empresário Paulo Skaf (PMDB) acredita que vai levar a disputa para o segundo turno. Para convencer o eleitor, apresenta um discurso recheado de críticas à atual gestão de Geraldo Alckmin (PSDB), que tem administrado o Estado, segundo Skaf, de forma morosa e sem planejamento. Presidente licenciado da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), o peemedebista promete modernizar a polícia paulista, aumentar o número de escolas em período integral e acelerar a expansão da rede metroviária e da CPTM, por meio de parcerias com a iniciativa privada.  Ele ainda afirma que não fará concessões aos partidos aliados na indicação para cargos, e  que reduzirá o número de secretarias existentes hoje. Leia abaixo os principais trechos das entrevistas concedidas por ele às rádios Bandeirantes e BandNews FM, com a participação do Metro Jornal.

O senhor tem falado muito em combate à corrupção, mas as denúncias dando conta de um esquema de desvio de recursos na Petrobras envolvem nomes importantes de seu partido. Este novo escândalo pode impactar negativamente em sua campanha e consolidar a vitória do governador Geraldo Alckmin (PSDB) no primeiro turno? 

Não. Em  primeiro lugar, as pesquisas indicam um forte crescimento de nossa campanha. Haverá dois turnos em São Paulo. No caso das denúncias, não tenho nada com isso. Estou filiado ao PMDB há três anos e estou focado na disputa em São Paulo.

Mas o PMDB de São Paulo não é o mesmo que faz parte da base de sustentação da presidente Dilma? 

Candidato do PMDB diz que irá para o segundo turno e que o eleitor não aguenta mais candidatos do PT e do PSDB disputando o Estado | Wanezza Soares/Metro Candidato do PMDB diz que irá para o segundo turno e que o eleitor não aguenta mais candidatos do PT e do PSDB disputando o Estado | Wanezza Soares/Metro

Estou falando do PMDB do Skaf, uma nova proposta de governo, formulada nos últimos três anos. Hoje, temos escândalos no Metrô, na CPTM, até na merenda. A população já não aguenta mais os casos sucessivos de desvios de recursos públicos. Eu não tenho nenhum tipo de ligação com envolvidos em qualquer suspeita de corrupção.

E o PMDB do Skaf irá combater a corrupção no Estado de São Paulo?

Entrei na política para isso. Passei anos reclamando da inércia dos governos  e dos políticos. Reclamando dos casos de corrupção. Agora, decidi oferecer um novo caminho. A população não aguenta mais candidatos do PT e do PSDB. As pessoas querem gestão pública de qualidade e mecanismos eficazes de combate à corrupção.

O senhor reforça na campanha o discurso do novo, de uma nova forma de se fazer política, mas tem ao seu lado nomes como o ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD) e o ex-governador Luiz Antônio Fleury Filho (PMDB). Não há uma contradição nessa postura? 

Não há contradição alguma. Veja, para disputar uma eleição é preciso fazer coligações, todos sabem disso. São elas que aumentam o tempo de exposição no rádio e na televisão, o que permite a apresentação das  minhas propostas para uma fatia do eleitorado que não me conhecia.

As alianças valem mesmo quando se trata de Gilberto Kassab e de Fleury?

O Kassab foi cortejado pelo atual governador durante muito tempo. Ele e o seu partido tentaram atraí-lo para uma coligação oferecendo a vaga de vice. Também ofertaram apoio na disputa pelo Senado. Ele nunca negou esse desejo e as matérias nos jornais provam isso. Ele (Kassab) decidiu apoiar a nossa candidatura, eu ia falar não a ele ou para o PSD? Claro que não. São falsas essas insinuações de que, se eleito, governarei com o passado. Estou olhando para o futuro.

O ex-governador Fleury é o coordenador da área de segurança de sua campanha?

Quem cuida dessa área é o meu vice (José Roberto Batocchio, do PDT). Não tem nada de Fleury na área da segurança. Mas o principal é o seguinte: eu sou o candidato, sou eu quem decidirá quem fará parte do meu governo, caso seja eleito. Vou delegar o que for necessário, mas as decisões são tomadas por mim.

Além do discurso contra o PT e o PSDB, o que mais o eleitor precisa conhecer do candidato Paulo Skaf?

‘O governador foge de suas responsabilidades. Ele fica invisível. A culpa pela falta de segurança sempre recai sobre o comandante da PM, sobre o delegado-geral, nunca sobre ele’ | Wanezza Soares/Metro

Ele precisa conhecer quem não prometeu, mas revolucionou o ensino no Sesi, com um saldo de 1,5 milhão de matrículas. O mesmo Skaf que lutou pelo fim da CPMF e pela redução da conta de luz. Também vale destacar nossa luta na Justiça para barrar o aumento abusivo no IPTU proposto no ano passado pelo prefeito Fernando Haddad (PT). Esse é o Skaf candidato ao governo de São Paulo.

E como o governador Paulo Skaf irá agir para tentar reduzir a sensação de insegurança vivida pelos moradores de São Paulo? 

Vivemos uma situação de guerra em São Paulo. Enquanto essa entrevista ocorre, uma mulher é estuprada, alguém é morto ou baleado.  Esse quadro só será enfrentado com uma tropa incentivada, e é isso que eu vou fazer. Vou cobrar resultados, mas ficarei próximo das polícias e dos comandos.

Mas quais medidas efetivas serão tomadas para combater essa situação de guerra, como o senhor diz? 

Vou acabar com a burocracia. Nada de policial militar esperando delegado para fazer boletim de ocorrência. PM vai ficar na rua. Vamos equipar os carros da PM para que se possa fazer todo o relatório para a Polícia Civil e continuar na rua. Usar toda a tecnologia disponível para aumentar os resultados das operações da polícia no combate ao roubo de carros e de carga.

A Polícia Civil resolveu 5% dos casos de roubos registrados no ano passado (13,1 mil).  Como melhorar esse desempenho?

Vamos resgatar a cultura da investigação em São Paulo. Hoje, os delegados também estão presos à burocracia. Vamos reestruturar as delegacias de São Paulo. Vamos modernizá-las. Entrar numa delegacia paulista é voltar para década de 1980. Investir em tecnologia, na formação dos policiais e na valorização da carreira. Essa será a base de nossa política para a segurança.

Que tipo de burocracia é preciso eliminar para dar mais eficácia ao trabalho das polícias Civil e Militar?

A burocracia do papel, do atraso. O PM que atende uma ocorrência tem que esperar a liberação do caso pelo delegado, isso pode levar até duas horas. Delegado em São Paulo fica perdido em papel, não tem como trabalhar. É um exemplo de atraso. Só com a modernização é possível mudar essa situação.

“No meu governo,
nem o Maluf nem
ninguém vai indicar
nomes para cargos.”

Mas se é tão simples, como parece na fala do senhor, por que o governador Geraldo Alckmin não consegue melhorar os resultados da polícia paulista?

O governador foge de suas responsabilidades. Ele fica invisível. A culpa sempre recai sobre o comandante, o delegado-geral, nunca sobre ele. A população saberá que eu sou responsável pela política de segurança do Estado. A culpa do caos na segurança é do Alckmin.

Essa modernização da administração pública será levada para outras áreas?

Temos que trazer toda gestão para o século 21. Veja o caso do Poupatempo. É uma ótima iniciativa, mas não pode ficar restrito a uma sala pequena, a um espaço dentro de um shopping. Temos que dar um ritmo de Poupatempo para todos os órgãos do Estado. Uma administração rápida e eficiente.

O modelo mais eficiente de gestão vale para distribuição dos cargos nas secretarias e nos demais órgãos que compõem a máquina pública?

Gestão eficiente é aquela que tem gente preparada para executar cada função. O meu governo não terá favores para cargos. As pessoas certas estarão nos lugares certos. Todos os partidos que compõem nossa base de apoio sabem disso. Não assumi, como é feito hoje em dia, compromisso para divisão de cargos com ninguém.

O senhor quer dizer que o governador oferece cargos em troca de apoio?

O Maluf (deputado federal  Paulo Maluf, do PP) indica cargos para a Secretaria Estadual de Habitação. Ele é parte da base de apoio ao governo e tem sua cota de postos na secretaria. No meu governo, nem o Maluf nem ninguém vai indicar nomes para cargos.

O senhor é favorável à redução da maioridade penal?

‘O problema não é falta de chuva, mas de obra. A crise de hoje é resultado de um governo ineficaz, lento na execução de projetos e sem nenhuma gestão.’ | Wanezza Soares/Metro

Sou favorável sim. O atual governador quer uma mudança no tempo de reclusão. Eu quero a redução da idade. São coisas distintas.

Qual idade?

Dezesseis anos. O jovem com essa idade já pode votar para governador, senador e presidente. Se ele tem direito, também tem deveres. Acredito que seja uma idade razoável para que se assuma  a pena por um crime cometido. Mas não adianta reduzir só a maioridade penal, é preciso adotar um série de medidas,  entre elas uma maior oferta de oportunidades para formação.

Como melhorar a qualidade da educação no Estado de São Paulo?

Com valorização do professor e investimento pesado na qualidade do ensino oferecido. O Orçamento do Estado hoje é de R$ 200 bilhões. Bem gerido esse valor, você pode levar ensino integral e profissionalizante.

O senhor promete 6 mil escolas no sistema de ensino integral. É só uma promessa ou realmente é possível cumprir essa meta?

É possível sim. Quando assumi a presidência do Sesi, há dez anos, das 175 escolas existentes, 127 não comportavam fisicamente o modelo integral. Eu disse que era possível. No ano que vem, todas estarão funcionando nesse modelo. Com planejamento a meta foi colocada em prática. Construímos as unidades necessárias e modernizamos outras.

E como esse modelo pode ser levado para as escolas do Estado?

Vamos seguir um programa de dez anos. Eleito, ele começa em 2016, nas escolas de ensino fundamental. Quando chegar o fim do mandado, a meta é ter 480 mil alunos no sistema de ensino integral. E deixaremos toda a estrutura necessária para que toda rede pública do Estado funcione em período integral até 2024.

Qual o custo para tirar essa promessa do papel? 

O investimento necessário, em 10 anos, será de R$ 16 bilhões. Dinheiro destinado para toda a estrutura. Salas de aula, laboratórios, construção e reforma de unidades de ensino. É totalmente factível.  Ainda é possível fazer parcerias com o próprio Sesi, Senac e outras entidades do comércio e da indústria para complementar a oferta de cursos profissionalizantes.

Eleito, acabará com sistema de progressão continuada?

Automaticamente. Não dá para continuar passando o aluno de ano sem colocar à prova o aprendizado. Vamos investir na formação do professor e exigir um ensino de qualidade, sem essa aberração que é a aprovação continuada.

Como transformar em realidade todas essas promessas sem o aumento de impostos. Essa conta fecha?

Não é promessa nem discurso. Não sou político de carreira para ficar falando o que não pode ser cumprido. Com o Orçamento do Estado sob uma gestão eficiente, com foco, é possível tocar todos os projetos necessários. O governo atual não sabe usar os recursos.

“Hoje, temos escândalos no Metrô,
na CPTM, até na merenda.
A população já não aguenta
mais os casos sucessivos
de desvios de recursos
públicos.”

A administração Paulo Skaf será menor. Vai cortar secretarias?

É preciso. São 26 secretarias. Não há necessidade. O Alckmin nem sabe o nome de alguns secretários. Estamos avaliando o tamanho da máquina e, no decorrer da campanha, iremos apresentar um  programa de redução, de melhorar a eficiência do Estado e reduzir seu custo.

No caso do Metrô e da CPTM, como acelerar a expansão das duas redes?

Com as parcerias com o setor privado. No meu governo, metrô e trem serão construídos pela iniciativa privada. O mesmo modelo vou adotar para rodovias e o Rodoanel. Orçamento tem que ficar centrado em saúde, educação e segurança.

Quais são suas propostas para melhorar a qualidade do serviço de saúde?

O primeiro passo é ampliar o número de AMEs (Ambulatório Médico de Especialidades). É um bom projeto. Você pode oferecer até pequenas cirurgias, reduzindo a espera nas Santas Casas e no hospitais universitários. Vamos construir 52 novas unidades. O investimento necessário é de, em média, R$ 8 milhões em cada. Com uma boa gestão, o que não ocorre hoje, é possível oferecer um atendimento de qualidade para a população e equacionar boa parte dos problemas da área da saúde.

São Paulo enfrenta a pior crise hídrica da história. Eleito, quais medidas tomará assim que assumir o cargo, em janeiro de 2015?

Há dez anos faltou água em São Paulo. Agora essa situação de seca se repete. O problema não é falta de chuva, mas de obra. A crise de hoje é resultado de um governo ineficaz, lento na execução de projetos e sem nenhuma gestão. No curto prazo, a única medida possível é economia de água, abrir poços, buscar todos os recursos possíveis.

Se o senhor fosse governador, já teria adotado uma medida impopular como o racionamento?

Eu não teria deixado a situação chegar a essa gravidade de hoje. Teria realizado todas as obras previstas em 2004 e evitado essa situação caótica. Nós já enfrentamos um racionamento hoje. O atual governador só não assume porque não é transparente. A população sofre os efeitos de uma administração morosa em todas as áreas.

“O Orçamento do Estado
hoje é de R$ 200 bilhões.
Bem gerido esse valor, você
pode levar ensino integral
e profissionalizante.”

Manterá o modelo de concessão de rodovias?

Claro. Mas não como foi feito pelo PSDB. Foi oferecido um modelo que a concessionária paga uma bolada para vencer a licitação, o que encarece o custo final. Sou favorável ao modelo de menor preço. Neste caso, também é preciso de uma gestão eficiente ou você acaba enfrentando os problemas de demora na execução do projeto, como ocorre na Régis Bittencourt  e na Fernão Dias, ambas sob a responsabilidade do governo federal.

Nas suas contas, qual percentual nas pesquisas de intenção de voto dará a certeza de uma disputa no segundo turno?

Acredito que chegaremos a 30%. Esse patamar irá garantir nossa ida para o segundo turno. Com a soma dos demais candidatos, o atual governador não terá mais a margem necessária para vencer no primeiro turno, como ele acredita.

Acredita que chegará a esse patamar (30%) até o dia da eleição? 

As pesquisas já indicam isso. Em três semanas ganhamos 11 pontos percentuais, chegando a 23%. O eleitor que não deseja a continuidade desse governo já vê nossa candidatura como a melhor alternativa. Estamos no caminho certo.

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