PF abre inquérito para investigar vazamento no caso Petrobras

Por lyafichmann
Ex-direitor da Petrobras Paulo Roberto Costa | Valter Campanato/Agência Brasil Ex-direitor da Petrobras Paulo Roberto Costa | Valter Campanato/Agência Brasil

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A PF instaurou inquérito para investigar o possível vazamento do depoimento do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, que apontou políticos da base aliada, um ministro e três governadores como beneficiários de um esquema de propina.

As denúncias esquentaram a corrida eleitoral. Dilma Rousseff, do PT, Marina Silva, do PSB, e Aécio Neves, do PSDB, usaram as revelações para apontar as responsabilidades dos adversários. Dilma afirmou que o caso veio à tona em função de uma investigação independente, sem interferência do governo.

Marina disparou contra o governo dizendo que a Petrobras vem sendo destruída. Aécio disse que, politicamente, a candidata do PT foi a grande beneficiária. O ex-diretor afirmou que 3% dos contratos assinados pela Petrobras foram distribuídos a três governadores, um ministro, 25 deputados e 6 senadores filiados ao PT, PMDB e PP.

Dilma vê uso político do caso e defende as investigações

A presidente Dilma Rousseff condenou a exploração eleitoreira do escândalo da Petrobras e alertou que o vazamento de informações de uma investigação sob sigilo pode levar à anulação do processo. “Eu não quero o que dizem, quero fatos e comprovações”, afirmou a petista, apontando que, antes de tomar providências, pediu ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para acionar a Polícia Federal e o Ministério Público para saber se há envolvimento de pessoas do Executivo.

Dilma citou que o afundamento da plataforma P-34, ocorrido durante o governo FHC, não foi investigado porque havia uma cultura de impunidade no país. “Agora, pela primeira vez, ninguém fica alheio à investigação.”

Marina diz que governo ‘manteve quadrilha’

A candidata do PSB, Marina Silva, poupou a adversária Dilma Rousseff, mas jogou a responsabilidade pelas novas denúncias envolvendo a Petrobras no governo e no PT. “A presidente tem responsabilidade política. Eu não seria leviana de dizer que ela tem responsabilidade direta. Eu prefiro que as investigações aconteçam. Eu não vou querer ganhar uma eleição a qualquer custo e a qualquer preço”, cutucou.

A ex-senadora afirmou esperar a verdade “doa a quem doer”, ao falar sobre o suposto envolvimento do ex-presidenciável Eduardo Campos, morto no mês passado. “Não queremos nenhum tipo de conivência por conveniência política. Nosso compromisso é com a verdade.”

Aécio acusa petista de ser ‘beneficiária’ do esquema

O candidato do PSDB, Aécio Neves, afirmou que, se as denúncias de esquema de pagamento de propina na Petrobras forem comprovadas, não há como tirar a responsabilidade política da presidente Dilma Rousseff. “Não faço um pré-julgamento pessoal em relação à citação de nomes. Mas o fato concreto, e quem diz isso é a Polícia Federal, é que existe uma organização criminosa atuando no seio da maior empresa pública brasileira”, atacou.

O tucano cobrou ainda um posicionamento mais claro da petista sobre as denúncias. “Estamos falando de uma área sobre a qual ela manteve o poder absoluto nos últimos 12 anos. Ela tem responsabilidade e satisfação a dar à população brasileira”, cobrou.

CPI fará reunião de emergência

O presidente da CPI da Petrobras, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), marcou para quarta-feira uma reunião de emergência para discutir os novos rumos dos trabalhos após a revelação do depoimento feito à Polícia Federal pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa sobre um esquema de pagamento de propina.

“Vamos aguardar o encaminhamento da Justiça sobre a confirmação da delação premiada”, afirmou Vital do Rêgo.

A formalização do benefício depende de manifestação do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Teori Zavascki. O relator do processo sobre a Operação Lava Jato deve pedir, antes, que a PGR (Procuradoria Geral da República) se manifeste sobre a delação.

A CPI deverá pedir uma cópia dos depoimentos, além de fazer uma nova convocação do ex-diretor. Para a oposição, as revelações trouxeram novos rumos para os trabalhos da comissão. “Não trabalhamos mais com hipóteses ou evidências, mas com testemunho que aponta fatos concretos e decisivos para desvendar o esquema”, afirmou o líder do PPS, deputado Rubens Bueno (PR).

A CPI marcou para amanhã também um novo depoimento do ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró para falar sobre a compra da refinaria de Pasadena.

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