Corpo de Antônio Ermírio de Moraes é sepultado em São Paulo

Por Nadia
Antonio Ermírio de Moraes morreu aos 86 anos | Bruno Miranda/Folhapress/Arquivo Antonio Ermírio de Moraes morreu aos 86 anos | Bruno Miranda/Folhapress/Arquivo

Morto na noite de domingo aos 86 anos, o empresário e presidente de honra do Grupo Votorantim, Antônio Ermírio de Moraes, foi enterrado na tarde desta segunda-feira no cemitério do Morumby, zona sul de São Paulo. Ele morreu em casa, na capital, por insuficiência cardíaca. Engenheiro metalúrgico, deixa a mulher, Maria Regina Costa de Moraes, com quem teve nove filhos. “O legado é de muita humildade. Valores e princípios que são eternos”, disse Regina de Moraes Waib, uma de suas filhas.

Empresários e políticos estiverem presentes no velório realizado no hospital Beneficência Portuguesa pela manhã. Entre eles, o governador Geraldo Alckmin, o presidente licenciado da Fiesp e candidato ao governo de São Paulo, Paulo Skaf, o maestro João Carlos Martins, o cardeal arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, o rabino Henry Sobel e os presidentes do Itaú, Roberto Setúbal, e do Bradesco, Lázaro Brandão.

Defensor do empresariado nacional, Ermírio de Moraes ajudou a formar o maior conglomerado industrial do Brasil, o qual comandou por décadas. Em 2006, recebeu o diagnóstico de mal de Alzheimer.  Em 2008, afastou-se da gestão do Grupo Votorantim.

Sob sua administração, o Grupo Votorantim prosperou durante a segunda metade do século passado em um país marcado por enorme volatilidade política, altos e baixos econômicos e, especialmente, o ônus da hiperinflação.

Em 2013, já sob o comando da quarta geração da família, o lucro líquido consolidado da Votorantim Industrial, que  abrange os negócios de cimento, metais, mineração, siderurgia e papel e celulose, foi de R$ 238 milhões, 174% acima dos R$ 87 milhões de 2012. A empresa está presente em mais de 20 países.

O empresário esteve por várias vezes na lista dos homens mais ricos da América Latina, com fortuna pessoal estimada em US$ 3,9 bilhões pela revista “Forbes”.

A biografia publicada em 2013 pelo amigo José Pastore, professor Emérito da USP, definia o empresário como um homem com a visão e a tenacidade necessárias para implementar a disciplina de negócios em um ambiente difícil, tendo como marca a capacidade de prever oportunidades de negócios ambiciosos e executar grandes projetos.

Ermírio de Moraes ganhou a simpatia de muitos brasileiros por ser avesso a luxos e levar um estilo de vida simples e sem ostentação. Costumava usar ternos gastos, acordava cedo e andava a pé, sem segurança pelo centro de São Paulo, onde fica a sede do Grupo Votorantim.

Além dos negócios, envolveu-se em áreas tão diversas como a filantropia, a política e o teatro, tendo escrito três peças que retratam a política, a ética e a economia do Brasil.

Patrocinou a criação de um dos maiores hospitais de São Paulo, a Beneficência Portuguesa, onde costumava visitar a sala de emergência sem avisar para se certificar de que o atendimento era rápido. Foi ainda presidente da Cruz Vermelha brasileira.

Em 1986, contrariando uma promessa que havia feito ao seu pai, ele tentou um cargo político, disputando o governo de São Paulo. Na disputa, estavam também Paulo Maluf e Orestes Quércia, que foi eleito.  A decisão foi tomada com o apoio de Mario Covas, José Serra e Fernando Henrique Cardoso. Uma das decepções foi quando FHC passou a apoiar Quércia. “Briguei muito, levei muita pancada sozinho e nunca envolvi ninguém”, disse sobre a campanha em 1986.

O empresário Antônio Ermírio de Moraes foi enterrado na tarde desta segunda-feira, em São Paulo. Presidente de honra do grupo Votorantim, ele morreu no domingo, aos 86 anos.
Reportagem de Eleonoara Paschoal

Fernando Ramalho – pres. cons. Beneficência Portuguesa
Luiz Furlan – ex-ministro do Desenvolvimento
Delfim Netto – ex-ministro da Fazenda
Regina Moraes – filha do empresário
Faraides Mattos – aposentada
Irma Reis – aposentada

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