PSB irá esperar enterro de Campos para decidir futuro

Por Carolina Santos
Diretório municipal do PSB em Olinda colocou uma faixa preta para sinalizar luto   | Luiz Fabiano/Futura Press Diretório municipal do PSB em Olinda colocou uma faixa preta para sinalizar luto | Luiz Fabiano/Futura Press

Em silêncio absoluto sobre sucessão até o sepultamento do ex-governador Eduardo Campos (PSB), marcado para domingo, Marina Silva ganhou nesta quinta-feira um cabo eleitoral de peso para assumir a candidatura à Presidência da República.

Em carta encaminhada à direção do PSB, o irmão do presidenciável morto no acidente aéreo anteontem, o advogado Antônio Campos, pede a confirmação do nome da ex-ministra para a disputa. “Tenho convicção que essa seria a vontade de Eduardo”, escreveu.

No documento, ele ainda ressalta que a definição do novo deve ocorrer em um debate democrático dentro da coligação articulada por seu irmão.

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O PSB afirmou que só tomará uma decisão sobre o novo candidato após o enterro de Campos. Mas dirigentes do PSB e da Rede Sustentabilidade começaram ontem as primeiras conversas sobre a corrida presidencial. O prazo para informar a Justiça Eleitoral sobre a troca termina no dia 23.

A coligação ‘Unidos Pelo Brasil’ –  formada por PSB, Rede, PPS, PPL, PRP e PHS – trabalha com a possibilidade de lançar Marina ou até mesmo um eventual outro candidato antes do início do horário eleitoral gratuito, que começa na terça-feira, dia 19.

Mantida a vacância do cargo, a equipe de campanha avalia, por exemplo, usar o horário eleitoral somente para fazer homenagens a Eduardo Campos.

Por sorteio, a coligação será a primeira a se apresentar. Nos vídeos de estreia que já haviam sido produzidos, Campos e Marina apresentam um ao outro aos eleitores.

Abatida e emocionada com a tragédia,  Marina se recolheu em casa com a família, em São Paulo, de onde só deve sair para o enterro de Eduardo Campos, no Recife.

O PSB quer evitar especulações sofre o futuro candidato e oficialmente adota a reserva como estratégia. “Recolhe-se, neste momento, irmanado com os sentimentos dos seus militantes e da sociedade brasileira, cuidando tão somente das homenagens devidas ao líder  que partiu”, disse o vice-presidente do PSB, Roberto Amaral, em nota divulgada na quinta-feira.

Relação de Marina com PSB pode gerar racha na chapa 

Marina Silva não quer falar sobre seu futuro. Ela já avisou aos seus aliados que “não é hora para se discutir política”. Caso aceite assumir a disputa presidencial, ela sabe que enfrentará barreiras dentro do próprio PSB. Líderes da legenda afirmam que Eduardo Campos foi o único responsável pela entrada da ex-senadora na chapa.

Os socialistas lembram ainda que a filiação de Marina ao partido tem prazo de validade, já que ela tentará oficializar a existência da Rede Sustentabilidade logo após as eleições.

Entre seus principais desafetos dentro do PSB estão o vice-presidente nacional da legenda, Roberto Amaral, e o presidente estadual em São Paulo, Márcio França.

Marina e Amaral trocaram farpas durante as discussões sobre o novo código florestal. Amaral chegou a afirmar que a Rede se tornaria um partido fundamentalista.

França e Marina não se entendem desde a formação da coligação. A ex-senadora criticou duramente a decisão do socialista de sair como vice na chapa do governador Geraldo Alckmin (PSDB) à reeleição em São Paulo. À época, o deputado federal disse que Marina “se comportava como  o convidado que quer definir quem irá ao jantar”. 

Arte Eduardo Campos

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