Aeronáutica localiza caixa-preta de jato que caiu com Campos a bordo

Por Tercio Braga
O avião caiu perto do canal 3 e destruiu totalmente uma residência | Robson Cardoso/Facebook O avião caiu perto do canal 3 e destruiu totalmente uma residência | Robson Cardoso/Facebook

Oficiais da Aeronáutica localizaram no fim da tarde a caixa-preta do jato comercial que caiu na manhã desta quarta-feira em Santos, no litoral paulista. Sete pessoas morreram na tragédia, entre elas o candidato à presidência da República, Eduardo Campos (PSB). O objeto foi localizado escondido entre os detroços da aeronave e dos escombros de imóveis atingidos no acidente.

A caixa-preta será analisada, provavelmente em São Paulo, nos próximos dias e poderá definir as causas da queda do jato, que transportava Campos e sua equipe de campanha. De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (anac), o avião estava com a documentação em dia.
A aeronave decolou no início do dia do aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, com destino ao Guarujá, município vizinho a Santos. O coordenador da Defesa Civil de Santos, Daniel Onias Nossa, disse que o corpo de uma das vítimas foi encontrado a algumas quadras do local da queda. O avião caiu perto do canal 3 e destruiu totalmente uma residência, aparentemente vazia, e atingiu outros imóveis.

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O prédio de uma academia de ginástica também sofreu danos, mas o local estava fechado para o público. Moradores relatam ter ouvido uma forte explosão. Viaturas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, da Polícia Militar e dos bombeiros estão no local.

Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil, o avião pertence à AF Andrade Empreendimentos e Participações Ltda. e está com a documentação em dia.

“Quando se preparava para pouso, o avião arremeteu devido ao mau tempo. Em seguida, o controle de tráfego aéreo perdeu contato com a aeronave. A Aeronáutica já iniciou as investigações para apurar os fatores que possam ter contribuído para o acidente”, diz a nota, assinada pelo brigadeiro do ar Pedro Luís Farcic, chefe do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica.

Campos tinha agenda extensa no litoral paulista

O candidato Eduardo Campos (PSB) tinha uma agenda extensa nesta quarta-feira no litoral paulista. No período da manhã, Campos participaria de uma passeata em Santos e depois daria uma entrevista coletiva ao lado de Marina Silva, vice na chapa do PSB.

No período da tarde, o ex-governador de Pernambuco participaria de um evento em um hotel no Guarujá. No fim do dia, Campos daria uma entrevista para a TV Brasil. À noite voltaria para a capital paulista.

Além de Campos, também morreram os pilotos Geraldo Cunha e Marcos Martins, o assessor de imprensa Carlos Augusto Leal Filho, o fotógrafo Alexandre Gomes e Silva e ainda Pedro Valadares Neto e Marcelo Lira. O aparelho caiu entre as ruas Alexandre Herculano e Vahia de Abreu, no bairro Boqueirão, na reigão do canal 3. Chovia e ventava no momento do acidente.

O deputado federal Márcio França (PSB-SP), que receberia Campos no giro pelo litoral de São Paulo, afirmou que outras três pessoas da região atingida pela aeronave foram encaminhadas a hospitais de Santos.

Avião de Campos apresentou falha em junho

A Polícia Civil e a Aeronáutica abriram inquéritos para investigar as causas do acidente aéreo que matou o candidato à Presidência pelo PSB, Eduardo Campos, e mais seis pessoas nesta quarta-feira (13). O avião que levava o político tinha partido do Rio de Janeiro e caiu em Santos, no litoral de São Paulo.

O jato modelo Cessna 560XL, fabricado nos EUA, tinha menos de três anos de uso e estava certificado pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) até fevereiro de 2017. Em junho, porém, o avião apresentou problemas de ignição e foi impedido de decolar em Londrina, no Paraná.

A aeronave era de propriedade da AF Andrade Empreendimentos, de Ribeirão Preto, interior de São Paulo.  Já a categoria de registro era para “serviços aéreos privados”.

Segundo a regulamentação, o jato não poderia ser usado como táxi aéreo. A aeronáutica vai apurar se a aeronave foi emprestada ou alugada para o uso na campanha – se havia relação comercial, ela não tinha autorização de voar.

Além disso, serão analisados fatores como condições climáticas, problemas mecânicos e falha humana. O que se sabe até agora é que o piloto arremeteu quando se aproximava da Base Aérea do Guarujá, provavelmente prejudicado pela baixa visibilidade e pelo vento.

O piloto teria decidido aterrissar na pista no sentido oposto. Depois de fazer uma curva à esquerda, a aeronave caiu.

As equipes de resgate permanecerão por pelo menos mais 24h para recolher restos mortais e destroços, que podem servir de prova.

 

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