"Espero que Dilma colabore conosco", diz jornalista ameaçada

Por Carolina Santos

Após receber o apoio da presidente Dilma Rousseff contra as ameaças de estupro que recebeu pela internet, a jornalista Nana Queiroz pede ajuda da mandatária para que esses atos intimidatórios sejam punidos. “Espero que ela colabore conosco e enquadre [esses atos] na [Lei] Maria da Penha os crimes virtuais”, disse em entrevista ao Brasil Urgente, da Band. No sábado, ela promoveu o protesto “Não Mereço Ser Estuprada”, motivado por uma pesquisa que culpa as mulheres por estupros.

A manifestante, que atua como repórter do jornal Metro Brasília, também pede urgência na aprovação do Marco Civil da Internet. “Peço às autoridades que façam alguma coisa. Aprovem logo o Marco Civil. [Ele] é importante para proteger as mulheres que são ameaçadas na internet”, afirmou a jornalista.

Para Nana, é importante que existam pesquisas como a do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicadas), mostrando a visão dos brasileiros sobre a mulher. “Assim, podemos combater essa mentalidade”.

A repórter, que já sofreu assédio enquanto utilizava o transporte público – “já tive que colocar minha sacola para trás” –, diz que sofreu centenas de ameaças de estupro. Sobre os autores das intimidações, ela diz que “são homens autoritários com suas mulheres com medo de perder seu poder”. “Esse tipo de ameaça é natural”.

Jornalista pede apoio para endurecer Maria da Penha:

Apoio presidencial

A presidente Dilma Roussef se indignou a respeito das ameaças de estupro recebidas pela jornalista Nana Queiroz, do Metro Jornal, organizadora do protesto “Não Mereço Ser Estuprada”. “O governo e a lei estão do lado de Nana e das mulheres ameaçadas ou vítimas de violência”, disse a mandatária em sua conta no Twitter. “[Ela] merece toda a minha solidariedade e respeito. Nenhuma mulher merece ser vítima de violência, seja física ou sob a forma de ameaça.

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Dilma recorda que a motivação do protesto da repórter do Metro Brasília foi o resultado de uma pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). O estudo apontou que a maioria dos brasileiros acredita que as mulheres são responsáveis pelo alto número de estupros no Brasil. “Ela se indignou com os dados da pesquisa sobre o machismo na nossa sociedade. Respeite as mulheres”, pediu a presidente.

Dilma-Rousseff-Nana-Metro-Brasilia-Twitter-Divulgação

Boletim
A organizadora do protesto “Não mereço ser estuprada” registrou uma ocorrência na Delegacia da Mulher após sofrer ameaças de estupro e até de agressão. Em entrevista à BandNews FM, Nana Queiroz pediu que outras mulheres que aderiram ao movimento e também foram ameaçadas façam o mesmo. “Eles [Delegacia da Mulher] já estão investigando essas ameaças contra mim”, disse Nana. “Outras mulheres também podem fazer o mesmo. O crime online hoje em dia é levado muito a sério”, completou.

Na entrevista, Nana também cobrou medidas do poder público para combater esse tipo de violência, citando como exemplo o governo do Distrito Federal, que está com a campanha “Assédio Sexual no Ônibus é Crime” – com o objetivo de conscientizar e prevenir abusos sexuais dentro do transporte público.

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