Petrobras abre comissão para investigar compra de refinaria

Por Caio Cuccino Teixeira
Comissão interna deve apresentar conclusões em até maio | Geraldo Falcão/Petrobras Comissão interna deve apresentar conclusões até maio | Geraldo Falcão/Petrobras

Depois dos problemas ocorridos há oito anos virem à tona, a Petrobras decidiu abrir uma comissão interna para apurar a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, nos Estados Unidos.

A presidente da Petrobras, Graça Foster, afirmou que a investigação dirá se a cláusula ‘put option’ – que obrigou a Petrobras a arcar com 100% do negócio após a saída da outra sócia – deveria constar no resumo executivo. A informação foi dada em entrevista ao jornal “O Globo”. A conclusão deve sair em 45 dias.

O valor chegou a US$ 1,18 bilhão – 26 vezes o valor pago pela empresa belga Astra Oil em 2005: US$ 42,5 milhões. A compra da refinaria foi feita em 2006 com o aval unânime do Conselho de Administração da Petrobras, presidido pela então ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff.

Na semana passada, a presidente afirmou, em nota, que o resumo era ‘técnica e juridicamente falho’ e que se as condições fossem conhecidas ‘seguramente não seriam aprovadas pelo Conselho’.

A investigação interna da Petrobras se soma as apurações em curso na Polícia Federal, Controladoria Geral da União, Ministério Público e Tribunal de Contas da União. Há suspeita de superfaturamento e evasão de divisas.

Convites

A Câmara aprovou nesta quarta-feira o convite para ouvir o ex-diretor internacional da Petrobras Nestor Cerveró – autor do resumo executivo e que foi demitido na última sexta-feira – e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, atual presidente do conselho da estatal.

Por serem convidados, não há obrigatoriedade de comparecimento para dar explicações sobre a compra da refinaria.

Primeiras explicações

O governo tenta arrefecer a crise, mas apresentará as primeiras explicações no Senado. Graça Foster, participa de audiência em 8 de abril e o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, no dia 15.

Oposição vê dificuldade em conseguir apoio à CPI

No segundo dia de mobilização para criar a CPI da Petrobras, a oposição encontrou barreiras. Orientados pelo Palácio do Planalto, deputados e senadores de partidos aliados decidiram aguardar as justificativas de autoridades antes de declarar ou não apoio à investigação.

A CPI só sai do papel com o apoio de 171 deputados e 27 senadores. Segundo o último balanço divulgado ontem faltavam 2 assinaturas no Senado e 28 na Câmara.

A oposição já considera a possibilidade de atingir o número mínimo de assinaturas somente na próxima semana.

Enquanto o requerimento não for lido em plenário, os deputados e os senadores podem retirar as assinaturas e inviabilizar a criação da CPI.

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