Pesquisa mostra que um terço dos jovens não usa camisinha

Por Caio Cuccino Teixeira

Apesar de terem muita informação sobre doenças sexualmente transmissíveis, os jovens brasileiros não se protegem na hora do sexo: pesquisa divulgada nesta quarta-feira mostra que um terço dos adolescentes ignora o uso da camisinha. Entre as garotas, o percentual é de 38,2%. Entre os homens, 29,6%.

Os dados fazem parte do 2º Lenad (Levantamento Nacional de Álcool e Drogas), da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). A pesquisa ouviu 4.600 pessoas de 14 a 25 anos em 149 municípios brasileiros.

De acordo com o estudo, 32% das adolescentes (14 e 20 anos) já engravidaram. Para a OMS (Organização Mundial de Saúde), a gravidez é considerada precoce nessa faixa etária. Embora a prática seja proibida no Brasil, o número de abortos é alto. Do total de entrevistadas entre 14 e 20 anos, 12,4% afirmaram que já tiveram uma gestação interrompida. Entre mulheres de 20 a 25 anos, o percentual sobe para 14,8%.

Álcool

O consumo e o uso abusivo de álcool também foi constatado na pesquisa. Apesar de a lei proibir, um em cada três adolescentes (14 a 18 anos) afirma consumir bebidas alcoólicas. Desses, praticamente metade (43%) relata beber de forma abusiva, o chamado “binge drinking” (uso excessivo em pequeno espaço de tempo). Considerando a faixa etária até 25 anos, praticamente metade consome álcool.

A Lei Seca também não conseguiu fazer com que os homens parem de dirigir após beber: 30% dos homens com até 25 anos ouvidos dirigiu depois consumir álcool pelo menos uma vez no último ano. Entre as mulheres, a taxa é de 4%. Mas quase um terço delas já pegou carona com um motorista alcoolizado.

Análise – ‘As meninas são mais passivas’

O alto índice de mulheres que não usam camisinha durante suas relações é preocupante. Temos uma cultura na qual as mulheres são muito passivas. Mas o fato delas usarem menos preservativos do que os rapazes pode também significar que a maior parte das relações delas é feita com os parceiros. Isso acaba estimulando a baixa adesão ao uso. Já entre os rapazes, acredito que eles tenham mais parceiras em uma mesma noite ou durante a semana, o que acaba fazendo com que eles se previnam mais.

Mas a pesquisa também levanta outra preocupação que é em relação ao uso de cocaína. Muitos desses jovens que afirmaram ter usado pelo menos uma vez no último ano precisam tomar muito cuidado porque a cocaína é altamente viciante. Outra pesquisa que fizemos apontou que mais da metade (55%) das pessoas que usaram cocaína no último ano viraram dependentes.

Uma das principais preocupações em relação à dependência dessa droga é que ela tem forte potencial para desenvolver depressão nos usuários. E também aumenta em até quatro vezes a chance dessa pessoa pensar, pelo menos uma vez, em suicídio. Além disso, a cocaína pode desenvolver uma depressão que a pessoa não tinha antes de começar a usar, ou potencializar a doença já existente.

O que precisamos fazer é não deixar com que essas pessoas entrem nesse circulo: uso, dependência, depressão e tentativa de suicídio. É preciso cortar o mal pela raiz e tentar limitar o acesso a esse tipo de droga aqui no Brasil.

Cocaína supera maconha entre mulheres jovens

No Brasil, a maconha já não é mais a droga mais consumida entre as mulheres com idade entre 14 e 25 anos. Segundo o estudo, 2% das garotas nessa faixa etária relataram ter usado cocaína no último ano, e apenas 1,4%, maconha. Entre os homens, as proporções são de 4,8% e 8,3%, respectivamente.

Além da maconha e da cocaína, o uso de estimulantes e solventes também representam parcelas expressivas entre os jovens até 25 anos. “Vale salientar que ambas substâncias estão entre as drogas que causam mais danos neurológicos em um indivíduo ainda em desenvolvimento”, afirma a psiquiatra Clarice Madruga, uma das coordenadoras da pesquisa.

O levantamento também mostrou que mais de um terço das jovens (35,6%) se considera acima do peso ideal. Entre os homens, o percentual é de quase 21%.

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