Petrobras tinha tentado comprar refinaria nos EUA há seis anos

Por Tercio Braga

Em 2008, o conselho da Petrobras estudou adquirir 100% da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, por mais US$ 788 milhões, segundo o documento de uma reunião do grupo, que era presidido pela presidente Dilma Rousseff, então ministra da Casa Civil do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. A compra da unidade tem se cercado de polêmica após a divulgação de números do negócio.

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Três anos antes, a empresa belga Astra Oil comprou 100% da refinaria por US$ 42,5 milhões, em uma negociação que aconteceu em fevereiro. Meses depois, em setembro, essa empresa vendeu 50% da unidade à Petrobras por US$ 360 milhões. No ano seguinte, a estatal brasileira começou a pensar em adquirir os outros 50% por discordar do sócio sobre investimentos na unidade. A compra foi aprovada em dezembro de 2007 e a proposta, levada até à Astra, que a aceitou em janeiro de 2008.

Em março, a proposta foi levada Nestor Cerveró – na época, era diretor da área internacional da Petrobras – ao conselho da companhia, que a recusou, segundo o jornal “Folha de São Paulo”, que teve acesso à ata da reunião.

Como havia uma cláusula no contrato inicial que obrigava a Petrobras a comprar sua metade caso houvesse divergência entre os sócios, a Astra foi à Justiça exigir que a Petrobras comprasse os outros 50% da refinaria. A condenação veio em 2012, quando a estatal foi obrigada a pagar US$ 820,5 milhões pela outra metade da unidade. No fim, a estatal teve um gasto de mais de US$ 1 bilhão com a refinaria.

Desde então, suspeitas de irregularidades são investigadas pelo TCU (Tribunal de Contas da União), pela PF (Polícia Federal) e pelo MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro). Os envolvidos no caso não quiseram comentá-lo ao jornal “Folha de São Paulo”.

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