Formado por 8 partidos, ‘centrão’ assume a oposição na Câmara

Por Caio Cuccino Teixeira
Líderes de oito partidos participam do “centrão" | Sérgio Lima/Folhapress Líderes de oito partidos participam do “centrão” | Sérgio Lima/Folhapress

Às vésperas do Carnaval, a presidente Dilma Rousseff vê nascer um bloco de insatisfeitos no Congresso que promete dar dor de cabeça depois da quarta-feira de cinzas. Formado por PMDB, PP, PSC, PDT, PTB, PR, Pros e o oposicionista Solidariedade, o chamado “centrão” foi oficialmente criado nesta terça-feira e ameaça com atuação independente da pauta do governo, principalmente na Câmara, mas que poderá ter efeito também no Senado.

“Este movimento não é contra a presidente Dilma, até porque todos apoiam a presidente. É para fortalecer os partidos”, alegou o presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), favorável ao movimento.

A insatisfação aparente é, em especial, pelo domínio de assuntos de interesse do governo na pauta de votações. Desde outubro do ano passado, por exemplo, nenhum projeto é votado no plenário da Câmara por causa da falta de acordo sobre o Marco Civil da Internet, que tem urgência constitucional e tranca a pauta.

A pressão, porém, tem dois focos menos explícitos: a divisão de cargos no primeiro e segundo escalões e a liberação de emendas parlamentares.

Pauta bomba

Após reunião comandada pelo líder do PMDB na Câmara, deputado Eduardo Cunha (RJ), o “centrão” promete dar prioridade a duas propostas que incomodam o Palácio do Planalto: a investigação pedida pela oposição sobre a denúncia de suborno à SBM, empresa da Holanda ligada à Petrobras, e ao projeto de lei que obriga o ressarcimento de R$ 7 bilhões aos consumidores por erros no cálculo da conta de luz entre 2002 e 2009.

A oposição já começou a coleta de assinaturas para a CPI da Petrobras para apurar o suposto desvio de US$ 250 milhões em propinas para autoridades em diversos países entre 2005 e 2011. Antes, porém, um grupo de parlamentares deve ir ao país europeu para acompanhar o andamento das investigações.

“Nós não somos a cabeça central e é importante esse movimento para abrir os olhos do governo”, alertou o líder do Pros, Givaldo Carimbão (AL).

Uma nova reunião do “centrão” foi marcada para 11 de março.

Reação – Emendas para conter a insatisfação

Para apaziguar os ânimos no Congresso, o governo decidiu abrir os cofres e pagar emendas parlamentares que estão retidas. Cada deputado e senador terá direito de R$ 12 milhões a R$ 15 milhões, dinheiro do Orçamento do ano passado. “Não é concessão de nenhum governo. É o compromisso que o parlamentar assumiu com a sua base eleitoral”, rebateu o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).

Além disso, o Palácio do Planalto colocou à disposição 12 ministros que deverão atender e, quando for o caso, até dar prioridade aos projetos dos deputados e senadores.


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