Para deputada brasileira na Itália, extradição de Pizzolato depende de diplomacia

Por fabiosaraiva
Renata Bueno, deputada brasileira na Itália | Reprodução/Facebook Renata Bueno, deputada brasileira na Itália | Reprodução/Facebook

Primeira brasileira a fazer parte do Parlamento Italiano, a deputada Renata Bueno, acompanhou de perto a prisão do ex-diretor de marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato, condenado a 12 anos e sete meses de cadeia no processo do mensalão pelos crimes de peculato, corrupção passiva e formação de quadrilha.

De passagem pelo Brasil, ela conta ao Metro Jornal detalhes de como Pizzolato foi encontrado e da possibilidade de extradição. Ele estava foragido desde novembro de 2013 e foi preso há duas semanas, no norte da Itália.

Como está a situação de Henrique Pizzolato?

Acompanhei todo esse processo de investigação, junto com as autoridades italianas, conversei com os chefes de polícia pedindo uma atenção a esse caso justamente porque na Itália tem muitos bandidos refugiados. Agora a gente sabe que ele está preso na Penitenciária de Modena. Está sob o poder da Corte de Apelo, que seria como um Tribunal de Justiça aqui no Brasil. Já foi definido que ele ficará preso até a decisão da extradição. E a Procuradoria da República do Brasil já está providenciando esse pedido de extradição, que não é fácil. Eles têm que transcrever todo o processo. Essa extradição tem que ser equiparada dentro desse processo, em questão de crimes, condições de pena, para daí a Justiça decidir extraditar o Pizzolato ou não, justamente por ele ser um cidadão italiano. O que nós sabemos é que existe um material que foi apreendido junto com o Pizzolato, não se sabe o que é, nem o conteúdo disso. Dizem que é relacionado a toda essa condenação de mensalão. Agora teremos que aguardar para saber o que tem nesse material.

Como foi a fuga dele?

Ele saiu do Brasil e isso foi detectado pela própria Polícia Federal Brasileira. Ele atravessou pelo norte da fronteira, entrou pela Argentina e pegou um voo de Buenos Aires sempre se utilizando do documento do irmão dele (Celso Pizzolato), que morreu há mais de 30 anos. E ele vinha tentando demonstrar seu irmão como cidadão ativo. Ele utilizou esse documento, mas na Argentina para sair eles usam digitais. E lá detectou-se que  tinha saído de lá um Celso Pizzolato.  A Polícia Federal Brasileira pediu as digitais que coincidiram com as de Henrique Pizzolato. A mulher dele já estava morando em Barcelona, a polícia já tinha detectado o automóvel dela e seguiram todo o trajeto. Sabiam que ele estava em uma região litorânea e depois ele chegou até Modena, onde teve um processo de captura mesmo.

Você acha que o governo brasileiro quer a extradição?

Não sei até que ponto o governo brasileiro tem interesse na extradição dele. Tecnicamente está acontecendo. Agora, politicamente depende de uma conversa diplomática entre os dois países, porque temos um passado um pouco dificultador, que foi a questão do Cesare Battisti, que o Brasil não extraditou, um italiano  condenado por homicídios na Itália e que está aqui sem cidadania brasileira. Ele, querendo ou não, acaba sendo uma história que ficou mal resolvida no passado diplomático entre Brasil e Itália.

Tem como comparar os dois casos?

Não. São bem diferentes. Justamente porque o Cesare Battisti não tem cidadania brasileira, ele é um italiano que fugiu para cá. Há muitos anos tem condenações de vários homicídios na Itália e erroneamente não foi extraditado. Henrique Pizzolato já é um pouco diferente porque ele tem cidadania italiana. Então, a partir do momento que ele entrou na Itália prevalece a cidadania do território onde ele está. É obrigação da Itália tutelar pelo seu cidadão. Por mais que a Itália possa extraditar nacionais, com o Brasil esse acordo não corresponde, porque o país não extradita nacionais.

Como está sendo seu trabalho na Itália?

É um mandato interessante. Completo no dia 25 de fevereiro um ano da eleição, e dia 9 de marco, da posse. Para mim, o maior privilégio é trabalhar em um país que tenho paixão, aprendi, conheci muito. Mas o melhor é poder representar o Brasil lá fora. Eu trato lá no parlamento muito a questão dos direitos humanos, que já era bandeira minha quando eu era vereadora de Curitiba, sempre defendi muito isso. Estando dentro da Europa, onde os direitos humanos são a bandeira número um, acabo tendo oportunidade de colocar em prática muitas das nossas ideias. Tenho vários projetos nesse sentido, com relação à violência contra a mulher, antirracismo, vários planos, ideias interessantes relacionadas à universidade, à parte cultural, tudo aquilo que a gente já trabalhava em Curitiba. Agora em um ambiente maior, em uma dimensão maior, posso fazer esse intercâmbio, essa ponte entre Brasil e Itália.


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