Advogado quer acordo para que tatuador ajude a polícia

Por talita
Fábio Raposo chega à 17ª DP para prestar depoimento | Reprodução/Band Fábio Raposo chega à 17ª DP para prestar depoimento | Reprodução/Band

Preso na manhã de ontem por passar para outro manifestante o rojão que atingiu a cabeça do repórter cinematográfico da TV Bandeirantes, Santiago Andrade, o tatuador Fábio Raposo, 23 anos, aceitou colaborar com a polícia.

Segundo o delegado titular da 17ª DP (São Cristóvão), Maurício Luciano de Almeida, o rapaz vai ajudar no retrato falado do homem que acendeu o artefato explosivo.

Após o depoimento do jovem, de mais de quatro horas, o delegado contou que Raposo disse já ter visto o responsável por disparar o artefato em outros atos e que vai tentar ajudar a fazer o retrato falado do suspeito.

“Na questão da delação premiada, a princípio, ele concordou em colaborar e vai ver se há possibilidade de identificar a pessoa, porque ele diz não conhecer o nome do outro manifestante, mas pode reconhecer. Ele já viu o rapaz em outras manifestações, mas não faz parte do seu círculo de amizades”, explicou o delegado.

Quem tiver informações sobre o suspeito, pode ligar para o Disque-Denúncia (2253-1117).

Já o advogado de Raposo, Jonas Tadeu Nunes, disse que vai pedir a revogação da prisão de seu cliente de 30 para cinco dias e disse que o jovem sofreu ameaças para assumir o crime sozinho: “Ele recebeu ligações e não sabe de onde veio. Ficou assustado. Já a delação premiada 100% não poderia ocorrer, porque ele não conhece o outro rapaz”.

Na porta da delegacia, durante o depoimento de Raposo, quatro ativistas, que já foram vistos em protestos com black blocs, hostilizaram os jornalistas e fizeram ameaças.

O tatuador foi preso na casa dos pais, no Recreio, na zona oeste, e, no fim da tarde, foi encaminhado a uma cadeia em São Gonçalo. Ele foi indiciado como coautor pelos crimes de tentativa de homicídio qualificado por uso de explosivos e crime de explosão, mas pode ter a pena aumentada em mais cinco anos, caso seja configurado o crime de organização criminosa.

Seu computador, aprendido em sua casa, no Méier, na zona norte, será periciado para saber se há mensagens ligadas ao grupo Black Bloc. Por enquanto, o cálculo da pena aponta para 35 anos.

A polícia informou que encontrou pichações no prédio de Raposo com a mensagem “Black Bloc” e palavrões em inglês contra a polícia. Segundo um vizinho, ouvido pelos investigadores, as inscrições são de autoria do jovem.

 

Estado grave 

O repórter cinematográfico Santiago Andrade permanece internado em estado muito grave no Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro. Ele foi atingido por um rojão quando cobria o protesto contra o aumento da passagem de ônibus, na quinta-feira.
O cinegrafista precisa de sangue do tipo O+. Quem puder doar, basta ir ao HemoRio, na rua Frei Caneca, número 8, das 7h às 18h, de domingo a domingo.


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