Investigação aponta fraude em obras e licitações em Porto Alegre

Por Caio Cuccino Teixeira
Escola Estadual Professor Oscar Pereira, em Porto Alegre, teve apenas parte do telhado modificado | Polícia Civil/Divulgação Escola Estadual Professor Oscar Pereira, em Porto Alegre, teve apenas parte do telhado modificado | Polícia Civil/Divulgação

Quem olhava de baixo via uma borda de telhado nova. Ao sobrevoar por cima, o flagrante de um esquema de desvio de verbas públicas. O escândalo foi revelado ontem pela Polícia Civil, envolvendo empresários e servidores das secretarias estaduais de obras, saúde e educação.

O telhado da Escola Estadual Professor Oscar Pereira, na capital, virou símbolo de um desvio de obras orçadas em R$ 12 milhões, que pode chegar a muito mais quando as investigações da Operação Kilowatt forem finalizadas. Oito pessoas foram presas temporariamente e uma em flagrante por porte ilegal de arma, em Porto Alegre e no Vale do Sinos.

As investigações iniciaram a partir do repasse de informações do Departamento de Gestão do Conhecimento e Prevenção e Combate à Corrupção. Conforme o delegado Joerberth Nunes, da Delegacia Fazendária, uma das formas de fraude era através de fiscais de obras que acabavam atestando a realização das construções licitadas, levando o poder público a efetuar o pagamento, quando na verdade ela não havia sido realizada conforme o contratado.

De acordo com o delegado Daniel Mendelski, os exemplos de desvio são visíveis. A polícia chegou a fotografar de um helicóptero o telhado da escola que deveria ser trocado, mas não foi. “Ao ser realizada a reforma no telhado, em vez de tudo, apenas se trocou os beirais, o entorno, de modo que a pessoa que ali chegava olhava para cima e pensava ‘que bacana trocaram o telhado’, mas de cima se vê as telhas velhas em praticamente a totalidade”, descreveu Mendeslski.

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