Tecnologia sueca renova frota de caças brasileiros da FAB

Por Carolina Santos

A sucateada frota de aviões de supersônicos de combate da FAB (Força Aérea Brasileira) será renovada com a compra de 36 caças de fabricação sueca. O Gripen New Generation venceu a concorrência que durava mais de uma década desbancando os modelos SuperHornet F-18, da Boeing dos Estados Unidos, e Rafale, da Dassault, da França.

O negócio, anunciado ontem, foi fechado por US$ 4,5 bilhões e os primeiros aviões devem entrar em operação 48 meses após a assinatura do contrato de financiamento, previsto para dezembro de 2014, ou seja, só em 2018. O contrato fixará os percentuais de transferência de tecnologia – principal exigência do governo brasileiro. A conclusão da compra está prevista para 2023.

 

Técnico-política

A opção pela aeronave da Suécia considerou a avaliação de técnicos da Aeronáutica, que acreditam que o modelo ainda não está pronto e poderá ser desenvolvido em parceria, mas também teve um viés político. A presidente Dilma Rousseff capitaneou as negociações, mas divergências com os outros países pesaram na decisão. A França, que foi favorita durante o governo Lula, enfrenta dificuldades em acordo para fornecimento de equipamentos para a Marinha. Os americanos perderam pontos depois das denúncias de espionagem.

O Gripen ainda é um protótipo, tem apenas 300 horas de voo, mas já foi adquirido por República Tcheca, Hungria, Reino Unido, África do Sul e Tailândia.

 

Ameaça

A demora na renovação da frota fará com que a Aeronáutica use na defesa aérea do Brasil os F5-M, menos potentes e velhos, alguns comprados em 1976.

Os mais modernos foram comprados de segunda mão da Jordânia há três anos. Enquanto aguarda os novos  caças, a Embraer fará uma modernização. Os seis Mirage ainda em funcionamento e que são usados hoje saem de operação este mês.

 

Uma espera de 18 anos

 

O anúncio de ontem encerra a mais longa negociação da área militar. O projeto FX foi criado em 1995 com investimento de R$ 700 milhões para substituir 16 Mirage. Cinco países apresentaram proposta, mas a falta de recursos interrompeu a disputa.

Em 2002, o ex-presidente Lula cancelou o projeto, ressuscitado quatro anos mais tarde. Em 2009, os modelos da França, Suécia e EUA foram selecionados, mas houve sucessivos cancelamentos do investimento. Lula chegou a anunciar o francês Rafale como vencedor. Depois voltou atrás e decidiu aguardar avaliação técnica da Aeronáutica.

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