Governo trava ações da PF, dizem sindicatos

Por Carolina Santos
Protesto de agentes parou o Eixo Monumental em julho | Antonio Cruz/ABr Protesto de agentes parou o Eixo Monumental em julho | Antonio Cruz/ABr

A Fenapref (Federação Nacional dos Policiais Federais), que reúne os 27 sindicatos de agentes no país, acusa o governo de promover o sucateamento e a desvalorização da corporação. As estatísticas apresentadas pelos policiais mostram que a capacidade investigativa contra crimes de corrupção caiu até 96% nos últimos sete anos.

O presidente da Fenapref, Jones Leal, afirma que a corporação passa por seu momento mais crítico. “Os problemas são diversos, desde assédio moral a interferências políticas nas investigações”, diz. Ele também afirma que as operações têm sido deflagradas cada vez mais precocemente e de forma regional, enfraquecendo a atuação federal da corporação.

Desde 2007, data indicada pela Fenapref como o início das interferências do governo, as investigações contra apropriação do dinheiro público por servidores federais, por exemplo, caiu de 1.085 para 185, uma redução de 83%. O número de funcionários públicos presos caiu de 310 para 65 até dezembro, 79% a menos.

Queixas

O problema, no entanto, não está só na etapa da investigação.  Dados da Procuradoria da República mostram que cerca de 70% dos inquéritos que a PF encaminha anualmente ao Ministério Público ficam em aberto e apenas 8% deles se convertem em denúncias encaminhadas ao Judiciário. O impacto deste problema está na redução de 19% no número de operações nacionais deflagradas no último ano.

A estruturação da carreira também é tida como um dos pontos fracos da corporação. “Hoje temos policiais experientes sendo chefiados por pessoas recém-aprovadas em concurso e que nada sabem de investigação”, acusa Leal. Desde 2007 foram feitos cinco concursos públicos para a PF para tentar conter a evasão de profissionais. Nos últimos quatro anos, 751 agentes abandonaram a corporação, o que representa 11% do efetivo atual, de 6.284 policiais. A categoria não recebe aumentos reis desde 2006 e alega que no período a inflação corroeu 40% dos rendimentos mensais.

A direção da Polícia Federal foi procurada pelo Metro Jornal, mas não se pronunciou até o fechamento desta edição.

 

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