Presença de Erundina equilibra a relação Marina-Campos

Erundina esteve na propaganda que apresentou a aliança Marina-Campos | Valter Campanato/ABr Erundina esteve na propaganda que apresentou a aliança Marina-Campos | Valter Campanato/ABr

Após a propaganda política do PSB, exibida ontem, um aspecto chamou a atenção para a análise do momento político brasileiro: a presença de um terceiro elemento. “Além de Eduardo Campos e Marina Silva, que eram óbvios, estava lá na tela Luiza Erundina, uma petista histórica, filiada ao PSB. E só ela teve a oportunidade de aparecer no vídeo e falar com os eleitores”, observa o jornalista Fernando Rodrigues em debete no “Jornal da Noite”.

Também participante do debate, Fernando Mitre, diretor de Jornalismo da Rede Bandeirantes, observa que Erundina “é uma espécie de reserva moral dessa aliança [entre Marina e Campos], de coerência e pureza política. Ela é uma que não se mete por aí em tantas confusões como a maioria dos outros fazem”.

Rodrigues lembra que foi esse lado “purista” que deixou o grupo do qual ela fazia parte no PT sem poder por um período e faz uma relação com o momento político atual. “O fato de ela estar ali, sinalizando mais purismo na aliança entre Marina e Campos, pode ser bom para uma parcela do eleitorado, mas pode ser difícil para Marina Silva e Eduardo Campos fazerem alianças que os levem ao Palácio do Planalto”.

Acompanhe o debate entre os jornalistas:

Na aliança Marina-Campos, o tom crítico à presidente Dilma Rousseff tem começado a ser recorrente. “Até agora, Eduardo Campos, pré-candidato à Presidência pelo PSB, vinha tentando poupar ataques mais duros contra o governo. Hoje, essa barreira foi ultrapassada, foram críticas muito duras dizendo que o Brasil talvez esteja no rumo errado”, analisou Rodrigues.

Reunião
O jornalista Fernando Rodrigues ainda relata um encontro de cinco horas que foi realizado na quinta feira no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República. Ele envolveu Dilma; o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva; o marqueteiro João Santana; o jornalista Franklin Martins; o presidente do PT, Rui Falcão, e o ministro da Educação, Aloizo Mercadante. Esse grupo é considerado o núcleo duro para as estratégias da campanha de reeleição da atual mandatária. “E a recomendação de Lula é esmagar, dizimar, sufocar as alianças que o PSB tentará fazer com os estados para a eleição do ano que vem. Essa é uma fala muito grave porque é uma declaração de guerra total”.

Antes da aliança, o ex-presidente defendia uma atitude “não beligerante” com Eduardo Campos, aponta o debatedor. “A partir de agora, Lula acha que não há mais o que reverter e ele será tratado como adversário, e será muito duro nos estados, tentando sufocar o PSB daqui para a frente”.

Aliança
Mitre pede atenção ao comportamento de PSB e Rede em um quadro de alianças nacionais e acertos regionais. “Este, sim, é um sinal da velha política, que Eduardo e Marina querem quebrar, vamos ver se eles conseguem quebrar mesmo [a velha política] nas alianças estaduais”.

Cabeça
A escolha do cabeça de chapa para a disputa da Presidência da República na aliança Marina-Campos envolve envolveu não desestimular a mobilização de seus apoiadores, observa Fernando Rodrigues. “Muita gente, os marineiros, demonstraram, nas redes sociais, decepção com a possibilidade de ela não ser candidata. Então, eles têm que empurrar isso ao máximo para o ano que vem”.

Serra
Para Rodrigues, o tucano José Serra ficou no PSDB na expectativa de ser chamado no meio do processo para assumir o posto de candidato a presidente, que é o grande sonho político dele. “Se isso vai acontecer, não temos como saber agora”, pondera.

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