Começam audiências sobre acidente da TAM que matou 199 pessoas

Airbus A320 colidiu com o prédio que teve de ser demolido depois |Valter Campanato/ABr Airbus A320 colidiu com o prédio que teve de ser demolido depois |Valter Campanato/ABr

Começam nesta quarta-feira as primeiras audiências sobre o acidente da TAM que matou 199 pessoas, em 17 de julho de 2007, no aeroporto de Congonhas, em São Paulo. As testemunhas de acusação serão ouvidas até amanhã, quinta-feira. Elas foram definidas pelo MPF (Ministério Público Federal).

Nos dois dias, as audiências serão presididas pelo o juiz federal Márcio Assad Guardia, substituto da 8ª Vara Federal Criminal de São Paulo.

As testemunhas de defesa serão ouvidas apenas em novembro e dezembro deste ano.

A Justiça não permitiu que jornalistas acompanhem as oitivas das audiências.

 

Parentes

No ano passado – quando a tragédia completou 5 anos -, o Portal da Band, conversou com familiares das vítimas. Um deles foi Dario Scott, que percebeu, pela televisão, que sua filha, de apenas 14 anos, poderia estar entre as vítimas do voo JJ3054 da TAM, que explodiu contra o prédio da própria empresa, em frente ao aeroporto de Congonhas, em julho de 2007. O acidente matou a adolescente e mais 198 pessoas que partiam em um voo de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, para São Paulo.

“Eu vi, ao vivo, minha filha sendo queimada pelas chamas”, afirma Scott. Thaís Volpi Scott estava, junto com uma amiga da mesma idade, voltando de uma viagem de férias.

Galeria: tragédia com avião da TAM completa seis anos

Assim como Scott, Archelau Xavier também acompanhou pela TV a maior tragédia aérea do país. “A princípio não acreditei que era o avião dela”, afirma o pai de Paula Xavier, de 24 anos.

Ela voltava de uma viagem com o namorado Lucas Mattedi exatamente naquele voo. “Eu e minha esposa já havíamos preparado um jantar para recebê-los. O tempo passou e, quando vimos que ela não entrava em contato, ficamos em choque”, explica.

A espera pela lista com os nomes dos passageiros foi tensa. Geraldo Silva Junior esperava para saber se, de fato, seu filho Janus Silva, de 26 anos, estava no mesmo acidente. “Foi desesperador. Embarcamos às pressas da Bahia, onde moramos, para São Paulo e, até que saíssem os nomes dos passageiros, houve muita angústia”, disse Junior.

 

Perdemos o chão

Carlos Hirchmann tinha uma estreita relação com Rodrigo Almeida, de 26 anos. Padrasto considerado o segundo pai biológico, ele também acompanhou pela televisão o maior acidente aéreo do país. “Não imaginávamos que ele poderia estar ali. Ele não tinha avisado sobre a viagem e, perplexos, acompanhávamos a dor de outros familiares que ali estavam”, diz.

“Foi quando o primo de Ricardo nos ligou. Perdemos o chão naquele minuto”, relembra emocionado. A dor de um pai, segundo Hirchmann, era a maior que alguém poderia sentir naquele momento. “Perdi meu pai com dez anos. Mas, nesse caso, foi como se tivesse havido uma inversão nos papéis. Não esperávamos perder um filho. Ainda mais daquele jeito, subitamente”.

 

Segurança

O maior acidente aéreo do país, em julho de 2007, motivou mudanças na aviação brasileira. De acordo com o especialista em segurança de voo Aurélio dos Santos, embora este tipo de transporte seja de muita complexidade, é o mais seguro do mundo.

“O transporte aéreo é 19 vezes mais seguro que o terrestre”, diz Santos. Segundo ele, o fato de não ter ocorrido mais acidentes similares ao da TAM já revela que não é preciso ter medo ao entrar em uma aeronave.

Galeria: veja imagens da tragédia do voo da TAM

Segundo dados da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), o aeroporto de Congonhas – local onde tentou pousar o Airbus da TAM, matando 199 pessoas depois de explodir contra o prédio da própria companhia – fez todas as modificações necessárias após a tragédia.

Veja o que mudou no aeroporto de Congonhas após acidente com o Voo JJ3054 da TAM:

– Entre as modificações está a diminuição de 38 para 30 slots (autorizações de pousos e decolagens) por hora;

– Determinação de 4 slots para a aviação geral em Congonhas, que antes eram slots de oportunidade, ou seja, sem limite definido;

– Implantação de nova malha aérea, organizando as rotas e horários de voos definidos pelas empresas. Em dezembro de 2007 eram 1.953 frequências semanais no Aeroporto de Congonhas. Hoje são 1.624 frequências semanais;

– Intensificação da fiscalização operacional nas companhias aéreas;

– Publicação da IAC (Instrução de Aviação Civil), que determina os procedimentos e requisitos técnico-operacionais complementares para a operação no Aeroporto de Congonhas, no site do órgão;

– Implantação do grooving (ranhura) na pista de pouso e decolagem;

– Segundo a Anac, quanto à “área de escape”, Congonhas encontra-se em conformidade com todos os regulamentos previstos.

Loading...
Revisa el siguiente artículo