A história dos dois quadros pintados por Botero sobre a morte de Pablo Escobar

Dois dos quadros mais conhecidos e comentados do pintor colombiano recriam os momentos finais do narcotraficante morto há 25 anos. Conheça os detalhes.

Por Boris Miranda (@ivanbor) - Da BBC News Mundo na Colômbia

Os dois quadros mostram um Pablo Escobar enorme sobre telhados de casas.

Em um deles, o barão do tráfico está de pé, atingido por várias balas. No segundo, aparece derrubado em cima do teto de uma casa, que foi o local de seu falecimento, há 25 anos.

As duas telas foram pintadas pelo famoso artista colombiano Fernando Botero (hoje com 86 anos), retratando o momento da morte de Escobar. O traficante pereceu na cidade de colombiana de Medellín, no dia 2 de dezembro de 1993.

Mesmo sem ser consideradas obras-primas de Botero, os quadros "La muerte de Pablo Escobar", de 1999 e "Pablo Escobar muerto", de 2006, deram o que falar desde o momento em que vieram a público. Produziram muitos questionamentos sobre o porquê de Botero ter decidido retratar, à sua maneira, os momentos finais do chefão do tráfico.

Para saber um pouco sobre a história destas pinturas, que se encontram hoje no Museu de Antioquia em Medellín, a BBC conversou com Juan Carlos Botero, filho de Fernando Botero e estudioso da obra do pai.

Duas séries

O filho do pintor explica que os dois quadros de seu pai sobre Escobar são parte de duas séries distintas de pinturas, produzidas em momentos diferentes.

A primeira pintura ("La muerte de Pablo Escobar", com o traficante de pé) é parte de uma série sobre a violência na Colômbia, da qual também fazem parte recriações de conflitos armados e episódios ocorridos no país dos anos 1950 para cá, como massacres e atentados.

O segundo quadro, no qual Escobar aparece já morto, é parte da outra série na qual são retratados momentos violentos da Colômbia e do resto do mundo.

"As duas coleções têm uma grande carga de denúncia, e são nelas que aparecem as imagens de Escobar", diz Botero.

O especialista diz que seu pai achava "impossível virar as costas às atrocidades que ocorriam na Colômbia", como sequestros, massacres, torturas e a violência do narcotráfico.

"Meu pai não fez estes quadros para mudar a realidade, mas para manter a memória destes episódios e para que não sejam esquecidos. A intenção era relatar a brutal realidade colombiana", acrescenta.

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Pablo gigante

Para além do estilo particular de Botero, há alguma razão para Escobar ter sido retratado como um gigante nas pinturas?

De acordo com filho do pintor, que é autor do livro "A arte de Fernando Botero", de 2011, o tamanho de Escobar nas pinturas reflete o tamanho da tragédia que se abateu sobre a Colômbia.

"A figura (de Escobar) é monumental, comparada ao resto do ambiente, para mostrar a dimensão que (o narcotráfico) adquiriu na Colômbia", diz ele.

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Juan Carlos Botero acrescenta que tamanhos e formas são parte importante da obra de seu pai.

"O tamanho das figuras nestes quadros de Escobar mostram a dimensão quase mítica que ele chegou a ter", diz ele.

O repúdio de Botero a Escobar

Em livros e entrevistas, diz-se que Pablo Escobar fez duas previsões a seus comparsas mais próximos: de que Botero o pintaria, e de que Álvaro Uribe seria presidente da Colômbia. As previsões são uma espécie de lenda, e não há comprovação de que Escobar realmente tenha dito isso.

Finalmente, as duas se tornaram verdade.

De qualquer forma, o filho do pintor esclarece que o mestre colombiano repudia o narcotraficante, e jamais recebeu uma encomenda de Escobar para pintá-lo.

"Sendo Escobar tão grandiloquente quanto era, não tenho dúvidas de que possa ter desejado que meu pai fizesse uma pintura sua. Mas a realidade é que nunca chegou a pedir", disse Juan Carlos Botero.

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O especialista, que é também escritor de ficção, acrescenta que seu pai repudiou o fato de Escobar ter pinturas suas em sua coleção de arte.

Sabe-se que o narcotraficante tinha milhões de dólares em pinturas. Entre elas, havia ao menos um trabalho original de Fernando Botero e algumas réplicas.

Botero, em meados dos anos 1980, deixou público seu repúdio a isto em entrevistas à imprensa.

Outro aspecto destacado pelo filho do pintor é o de que seu pai, nascido em Medellín, desejava que sua cidade fosse conhecida como capital artística da Colômbia. E não como capital mundial de homicídios, como Escobar a tornou conhecida há trinta anos.

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