Cinco mitos e verdades sobre ossos quebrados

Dor lancinante? Nem sempre. Se você não consegue mexer, é porque quebrou? A BBC esclarece algumas informações imprecisas divulgadas sobre o tema.

Por Claudia Hammond - BBC Future

A BBC esclarece cinco mitos e verdades sobre fraturas nos ossos. Confira abaixo:

1 – Se tivesse quebrado, você não conseguiria mexer. (Mito)

Mito. É a primeira coisa que as pessoas costumam dizer quando você está se contorcendo de dor após dar uma topada forte ou cair de mal jeito. "Está conseguindo mexer? Então não quebrou."

Mas a verdade é que muitas vezes é possível mover um osso quebrado. Logo, esse não é um dos sinais mais importantes a serem observados para saber se você tem uma fratura.

Os três principais sintomas de um osso quebrado são dor, inchaço e deformidade.

Se um osso estiver exposto ou cutucando sua pele, logicamente não é um bom sinal e deve ser uma fratura. Outro indício é se você ouviu um estalo na hora do acidente.

2 – Se quebrou, você está fatalmente com muita dor. (Mito)

Mito. Há muitos casos de pessoas que sofrem uma lesão e passam o resto do dia esquiando, caminhando ou até dançando, sem perceber que estão com uma fratura.

Na maioria das vezes, ossos quebrados doem – e muito. Mas se a fratura for pequena, você pode não notar.

Uma vez que você descobre que um osso está quebrado, é importante procurar ajuda médica para garantir que ele seja devidamente alinhado e mantido no lugar enquanto cicatriza, evitando infecções e deformações permanentes.

Existe, no entanto, uma peculiaridade quando se trata de fraturas ósseas e dor. Pode ser que não doa na hora, mas uma pesquisa de 2015, realizada pela Universidade de Southampton, no Reino Unido, descobriu que pessoas que fraturaram o braço, a perna, a coluna ou o quadril no passado são mais susceptíveis do que outras a sentirem dor crônica generalizada no corpo décadas depois. Felizmente esse tipo de dor não é comum.

3 – Mulheres brancas mais velhas devem se preocupar com fraturas devido à osteoporose. (Verdade)

Vamos começar com a questão da idade. É verdade que as mulheres mais velhas são mais propensas do que as mais jovens a sofrer fraturas. As alterações hormonais da menopausa podem levar à rápida perda óssea e a fraturas decorrentes da osteoporose.

Quando se trata de raça, as mulheres brancas sofrem duas vezes mais fraturas de quadril do que as negras nos EUA. Diversos fatores têm sido apontados para explicar a maior resistência óssea em mulheres negras, incluindo maior massa óssea durante a infância e uma taxa menor de renovação óssea, o que poderia levar a um declínio mais lento da densidade mineral óssea com a idade.

Mas isso não quer dizer que as negras não sofram de osteoporose. Só que um número menor apresenta essa condição. Apenas 5% das mulheres negras com mais de 50 anos têm osteoporose – e isso faz com que seus sintomas nem sempre sejam levados a sério.

Nos EUA, por exemplo, as afro-americanas são menos propensas a serem encaminhadas para exames de osteoporose do que as mulheres caucasianas. E, se são diagnosticadas, têm menos chance de receber o tratamento adequado.

4 – Se quebrou o dedo do pé, não precisa ir ao médico – não há o que fazer. (Mito)

É verdade que você pode acabar não sendo engessado, mas um dedo quebrado deve, sim, ser examinado.

A equipe médica precisa estabelecer a dimensão da fratura para evitar dores ou deformidades no longo prazo, o que pode deixar os sapatos desconfortáveis ou levar a uma artrite tardia, se a fratura não cicatrizar corretamente.

Se o dedo do pé estiver em um ângulo estranho após a fratura, pode ser necessário um tratamento mais complexo e até uma cirurgia.

A maioria dos dedos quebrados podem ser enfaixados junto a um dos dedos adjacentes e estabilizados com a ajuda de um sapato ortopédico especial de solado rígido. A recuperação leva geralmente de quatro a seis semanas.

Fraturas no dedão são mais graves e algumas pessoas precisam usar uma bota até a altura da panturrilha por duas ou três semanas, além de enfaixá-lo junto ao dedo adjacente na sequência. Felizmente, o dedão tem 50% menos chance de quebrar do que os outros dedos do pé.

Se a fratura for no metatarso – osso do pé mais próximo do dedo -, o tratamento pode ser feito sem qualquer tipo de gesso, desde que o pé fique em repouso.

Isso acontece porque os ossos de ambos os lados tendem a se manter retos, agindo como uma tala natural, e em 80% dos casos os ossos permanecem no lugar certo, mesmo quando estão quebrados.

Mas se houver um ferimento que indique uma fratura exposta, ou se o osso não estiver na posição correta, talvez seja necessário tratamento.

Isso é mais provável de acontecer com o osso abaixo do dedão, uma vez que ele não tem o apoio dos outros ossos para mantê-lo no lugar.

Da mesma forma, fraturas do osso abaixo do dedinho podem muitas vezes exigir cirurgia ou gesso.

Mesmo que você não precise engessar, ainda vale a pena tratar os dedos quebrados. Uma vez que fraturas sérias são descartadas, o ortopedista pode colocar uma tala no dedo quebrado e revesti-lo com um acolchoamento macio. E ele saberá dizer se você vai precisar usar muletas por uma ou duas semanas até que possa colocar seu peso sobre ele confortavelmente.

5 – O osso fraturado fica mais forte após cicatrizar. (Verdade)

Parece bom demais para ser verdade e, no longo prazo, de fato é. Mas há alguma verdade nisso no curto prazo. Enquanto está cicatrizando, uma calosidade ou osso novo extra forte se forma ao redor da fratura para protegê-la.

Dessa forma, é verdade que algumas semanas após o processo de recuperação, o osso fraturado esteja mais forte que um osso normal. Mas posteriormente essa calosidade diminui e, com o passar dos anos, você vai ficar com um osso novinho em folha, mas não mais forte.

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Todo o conteúdo desta reportagem é fornecido apenas para informação geral e não deve ser tratado como um substituto para a orientação médica de um profissional de saúde.

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Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Future.

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