5 grandes mitos sobre a Primeira Guerra Mundial

Nenhuma guerra na história atrai mais controvérsia e gera mais mitos; conflito ocorreu entre 1914 e 1918.

Por BBC Brasil

Nenhuma guerra na história atrai mais controvérsia e gera mais mitos do que a Primeira Guerra Mundial.

Muito do que achamos saber sobre o conflito, que ocorreu entre 1914 e 1918, está errado.

Para os soldados que lutaram, a guerra foi, em alguns aspectos, melhor do que confrontos anteriores e, em outros, piores.

Mas descrevê-la como excepcionalmente trágica nos impede de conhecê-la a fundo.

Tampouco nos permite entender o que passaram soldados e civis presos em outros inúmeros confrontos passados e atuais.

Confira abaixo cinco mitos sobre a Primeira Guerra Mundial, cujo fim completa 100 anos neste domingo.

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1. Foi a guerra mais sangrenta da história até então

Cinquenta anos antes do início da Primeira Guerra Mundial, o sul da China foi destruído por um conflito ainda mais sangrento.

Estimativas conservadoras do número de mortos nos 14 anos da rebelião de Taiping indicam que 20 a 30 milhões de pessoas morreram.

Na Primeira Guerra Mundial, 17 milhões de soldados e civis perderam a vida.

2. Não houve vencedores

Grandes extensões da Europa ficaram em ruínas, milhões morreram ou ficaram feridos. Os sobreviventes passaram a apresentar graves traumas mentais.

Nesse contexto, seria difícil falar em vencedores.

No entanto, do ponto de vista exclusivamente militar, o Reino Unido e seus aliados foram os grandes vitoriosos.

Os navios de guerra alemães foram contidos pela Marinha Real britânica a ponto de suas tripulações se entregarem em vez de lançarem um ataque suicida.

O exército alemão entrou em colapso depois de uma série de ataques dos aliados.

No fim de setembro de 1918, o imperador alemão e seu conselheiro militar Erich Ludendorff admitiram que não havia mais esperança de vitória e que a Alemanha deveria rezar pela paz. O armistício de 11 de novembro foi essencialmente uma rendição alemã.

Ao contrário de Adolf Hitler em 1945, o governo alemão não insistiu em manter uma luta inútil e sem sentido até que os Aliados chegassem a Berlim, uma decisão que salvou inúmeras vidas, mas depois serviu para a sustentar a versão de que a Alemanha nunca foi realmente derrotada na Primeira Guerra Mundial.

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3. O Tratado de Versalhes foi extremamente duro

O tratado de Versalhes confiscou 10% do território da Alemanha, mas deixou o país como a maior e mais rica nação da Europa central.

Quase não havia forças de ocupação e as reparações financeiras estavam ligadas à sua capacidade de pagamento.

Além disso, em sua maioria, essas indenizações não foram reivindicadas.

O tratado foi sem dúvida menos severo do que aqueles que puseram fim à Guerra Franco-Prussiana de 1870-71 e à Segunda Guerra Mundial.

No primeiro caso, os alemães vitoriosos no conflito franco-prussiano anexaram grandes porções do território de duas ricas províncias francesas, nas quais o ferro do país era produzido. Além disso, forçaram Paris a pagar uma conta enorme.

No segundo, a Alemanha foi ocupada, dividida, os maquinários de suas fábricas destruídos ou roubados e milhões de prisioneiros foram forçados a permanecer com seus captores e trabalhar como escravos.

Além disso, o país perdeu todo o território que havia conquistado na Primeira Guerra Mundial.

Versalhes não foi um tratado duro, mas foi apresentado como tal por Hitler, que se aproveitou da ira popular contra o acordo para chegar ao poder.

4. As táticas na Frente Ocidental não mudaram apesar das repetidas falhas

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As táticas e a tecnologia nunca mudaram tão radicalmente em quatro anos de luta.

Foi um momento de inovação extraordinária.

Em 1914, os generais galoparam a cavalo pelos campos de batalha, enquanto homens com roupas de pano atacavam o inimigo sem as defesas necessárias. Ambas as partes estavam armadas principalmente com rifles.

Quatro anos depois, equipes de combate com capacetes de aço avançaram protegidas por cortinas de granadas de artilharia.

Os soldados estavam armados com lança-chamas, metralhadoras portáteis e granadas que eram disparadas a partir de rifles.

Acima deles, aviões, que em 1914 teriam sido inimaginavelmente sofisticados, sobrevoavam os céus, alguns carregando rádios experimentais e fazendo transmissões ao vivo.

Enormes peças de artilharia disparavam com precisão, usando apenas fotos aéreas e matemática para acertar alvos com um único ataque.

Os tanques haviam passado da mesa de projeto para o campo de batalha em apenas dois anos, mudando a guerra para sempre.

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5. Todo mundo sofreu

Como em qualquer guerra, o grau de sofrimento depende da sorte.

Pode ser que alguém seja vítima de horrores inimagináveis que o deixam mental e fisicamente incapacitado para o resto da vida.

Mas pode ser que nada lhe aconteça.

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Soldados que tiveram sorte na Primeira Guerra Mundial não participaram de nenhuma grande ofensiva e na maioria das vezes estavam em melhores condições do que em casa.

Os britânicos, por exemplo, comiam carne todos os dias – um luxo que não se repetia muito na vida civil – tinham cigarros, chá e rum, e uma dieta diária de mais de 4 mil calorias.

As taxas de absenteísmo devido a doenças, um importante barômetro da moral das unidades militares, permaneceram – notavelmente – quase as mesmas que em tempos de paz.

Muitos jovens desfrutavam de salários garantidos, camaradagem intensa, responsabilidade e maior liberdade sexual.

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