Brasileiro desaparecido por duas semanas é encontrado a 70 km de casa na França

Ricardo Carvalho de Castro, diagnosticado com Alzheimer, havia saído para fazer exercícios quando sumiu, disse o filho.

Por Daniela Fernandes - De Paris para a BBC News Brasil

Após duas semanas de desaparecimento, o brasileiro Ricardo Carvalho de Castro, 66, foi localizado em um hospital nos arredores de Paris. Segundo o filho Daniel, o pai, diagnosticado recentemente com Alzheimer, se perdeu e ficou dias vagando em calçadas, trens e ônibus. Moradores de rua o ajudaram com comida, abrigo e roupas.

Ricardo relatou que não conseguia parar de caminhar ao longo desses dias por causa do frio que sentia. Com dores nas costas, decidiu entrar em um hospital a 70 km de Saint-Germain-en Laye, onde mora com o filho. Ali, uma enfermeira portuguesa descobriu sua identidade a partir do cruzamento de informações desencontradas que Ricardo passou e do alerta do desaparecimento emitido pela polícia.

Ele havia retirado da carteira o endereço e o telefone de emergência quando saiu no dia 16 para fazer exercícios em um parque na vizinhança. A polícia usou cães farejadores em sua busca, mas o rastro de Ricardo se perdia. A hipótese era de que, naquele ponto, ele havia entrado em algum meio de transporte.

O filho Daniel Monsanto de Castro deixou de trabalhar por dias enquanto pregava avisos de desaparecimento pelas ruas da região, que geraram diversos telefonemas com informações imprecisas ou incompletas. Uma pessoa, por exemplo, informou ter visto seu pai na estação de trem suburbano de La Défense, nas proximidades da capital francesa.

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"Meu pai nunca tomou sozinho um transporte coletivo na França. Não temos como saber se isso ocorreu. Só há uma entrada na estação de Saint-Germain-des-Près. Mas a polícia não me informou se ele foi visto nas câmeras de segurança do local", contou Monsanto, à época do desaparecimento.

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Monsanto, que mora na França há sete anos, onde trabalha como motorista de passeios turísticos, conta ter trazido o pai do Rio de Janeiro para Saint-Germain-en-Laye há cinco meses porque ele estaria passando necessidades no Brasil.

Segundo ele, seu pai já tinha sintomas da doença de Alzheimer, mas não queria ir ao médico enquanto estava no Brasil.

O filho conta que o levou para fazer exames na França e também para consultar uma neurologista em Portugal, onde o pai, sem a barreira da língua, pôde fazer testes de memória e responder às perguntas do médico.

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Na avaliação, seu pai não soube, por exemplo, dizer ao neurologista quem é o presidente do Brasil, contou o filho.

Seu pai tinha uma nova consulta com a neurologista em Portugal quando desapareceu e em seguida retornaria ao Brasil, onde iria morar perto de outro filho para ter um acompanhamento constante.

"A passagem já estava comprada. Todos os dias ele perguntava quantos dias faltavam para a volta. Ele estava super contente de voltar e de morar perto do meu irmão. E aí aconteceu isso", lamentou à época o filho.

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