Cinco inovações de Donald Trump no Natal da Casa Branca

Da linguagem ao fim da tradicional entrevista coletiva a jornalistas em dezembro, muita coisa será diferente este ano em Washington.

Por BBC Brasil
Cinco inovações de Donald Trump no Natal da Casa Branca

"Feliz Natal", disse o presidente Donald Trump aos repórteres enquanto atravessava o Jardim Sul da Casa Branca, em Washington.

Era um dia quente, com cheiro de rosas no ar – não havia o menor clima de Natal.

Mesmo assim, a decoração de fim de ano estava a todo vapor. Uma semana antes da época em que os antecessores do republicano costumavam dar início a ela.

É que o atual presidente dos Estados Unidos gosta de fazer as coisas de forma diferente. Prova disso são as cinco "inovações" dele nos festejos de fim de ano da Casa Branca que listamos a seguir.

1. Começou antes do Dia de Ação de Graças

Tradicionalmente, a árvore de Natal da família presidencial chega em uma carruagem puxada por cavalos. Isso costuma acontecer em algum momento depois do Dia de Ação de Graças, celebrado em 23 de novembro.

992936166965a51d3b84409caaf687202ec63b78-ee752e7f677a2dfae93e9b45b69430f4.jpg Trump e sua família ficam menos na Casa Branca que seus antecessores / EPA

Por décadas, a cerimônia de chegada da árvore marcava o começo da temporada natalina em Washington.

Este ano, a árvore chegou mais cedo – três dias antes do Dia de Ação de Graças – aparentemente por causa dos planos de viagem do presidente. No dia seguinte, ele deixou Washington em direção a seu clube privativo no resort de Mar-a-Lago, na Flórida.

As decisões de antecipar a chegada da árvore e de sair da Casa Branca naquela semana são marcos importantes, diz a especialista em política americana Katherine A. S. Sibley, da Universidade de St. Joseph, na Filadélfia.

9902336320171129wh-4b71f325cae5c90269a6d7ff494b0b31.jpg Decoração de Natal foi antecipada na Casa Branca / BBC

Isso é mais uma amostra de que a família Trump não tornou a Casa Branca o ponto focal de suas vidas, ao contrário do que fizeram os Obamas, os Bush e os Kennedys, diz Sibley.

"(A Casa Branca) parece mais um acessório na vida deles do que um lugar central", avalia.

99027140tree976getty-cec82c349d5ac737dbde2cc657df9f2a.jpg Cerimônia anual da árvore de Natal teve a elegância costumeira / Getty Images

2. Sem essa de 'Boas Festas'

Durante a campanha presidencial, Trump dizia a seus apoiadores que as pessoas voltariam a dizer "Feliz Natal" ao invés de "Boas Festas".

Trump via esta última expressão de forma negativa, como um sintoma do "politicamente correto".

E em outubro deste ano, ele afirmou que tinha entregado o prometido. "Voltamos a dizer 'Feliz Natal' outra vez", declarou.

Para seus apoiadores, a medida representava um desafio aos guardiões das novas normas de linguagem, uma vez que "Feliz Natal" remete diretamente à celebração cristã, ao contrário de "Boas Festas", que seria algo mais laico e pluralista.

Na avaliação dos críticos de Trump, porém, trata-se de um simbolismo vazio. Barack Obama às vezes dizia "Feliz Natal" em seus discursos nesta época do ano, apontam.

Outros presidentes também falavam "Feliz Natal", mas não faziam nenhum alarde a respeito disso, diz Timothy Naftali, professor da Universidade de Nova York e autor de biografias de mandatários americanos.

"Ele agora vai fingir que é o primeiro presidente a celebrar o Natal", diz Naftali.

3. Um presente especial para os americanos

Não é o tipo de presente que você espera encontrar debaixo da árvore de Natal, muito menos dentro de uma meia na janela.

Cortes de impostos não vêm simplesmente enrolados em papel de presente. O presidente apresentou sua proposta de redução de tributos em abril, e colheu uma vitória importante quando ela foi aprovada na semana passada pelo Senado.

Trump descreveu o aval dos congressistas ao projeto de lei como um "grande, maravilhoso presente de Natal" para os americanos.

4. Sem fotos de bichos

99022140dogs976getty-86e01bc7522bb9d970a74c12818228b9.jpg Em 2013, a Casa Branca colocou estas réplicas de Bo e Sunny na decoração de Natal / Getty Images

Trump é também o primeiro presidente em mais de um século sem um pet – então, não teremos as tradicionais fotos do "primeiro-cachorro" brincando com os adereços natalinos este ano. É mais uma tradição quebrada.

Bo e Sunny, os cães d'água portugueses de Barack Obama, apareceram em várias sessões de fotos natalinas durante o mandato do democrata.

Antes disso, o terrier escocês Barney vigiava os presentes embaixo da árvore de natal da família Bush. E Socks, o antigo gato dos Clintons, foi fotografado com um gorro de Papai Noel.

99022147comp976-082ed2cb464e4bb7ebf5e4ebcf85efc0.jpg Chegada da árvore de Natal foi antecipada pelos Trump / Getty Images

5. Sem conversa com a imprensa

Em governos anteriores, o presidente costumava conceder uma entrevista coletiva a jornalistas que cobrem a Casa Branca em dezembro. Os encontros eram na sala de comunicados.

Mas é provável que Donald Trump não faça o mesmo. Uma assessora presidencial disse à reportagem acreditar que, na visão do presidente, falar na tal sala não seja algo à sua altura.

O republicano prefere conversar com os repórteres no Jardim Sul, no Salão Oval ou no avião presidencial, o Air Force One, lugares onde se sente mais confortável.

Apesar disso, Trump convidou alguns repórteres para celebrar as festas de fim de ano na Casa Branca. O convite vazou na imprensa, mas um representante da rede de TV CNN disse que seus jornalistas não compareceriam por causa "dos contínuos ataques à liberdade de imprensa e à própria CNN".

O que não ficou sem resposta. Sarah Huckabee Sanders, secretária de Imprensa da Casa Branca, escreveu: "O Natal chegou mais cedo! Finalmente recebemos boas notícias da CNN".

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