Cientistas lutam para preservar Jararaca-Ilhoa no litoral de SP

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Por Gilberto Smaniotto - Jornal da Band

18/01/2016 às 2h00

Biólogos e veterinários do Instituto Butantan correm contra o tempo e lutam para que a Jararaca-Ilhoa não desapareça de vez do mapa. Essas cobras vivem na Ilha da Queimada Grande, a 35 quilômetros de Itanhaém, no litoral sul de São Paulo, um dos cinco locais mais perigosos do planeta.

No local, conhecido como Ilha das Cobras, vivem mais de 2 mil serpentes venenosas, sobreviventes de uma espécie que ficou ilhada desde que o nível do mar subiu, 10 mil anos atrás, e encobriu uma área de montanhas onde os animais viviam. As jararacas, que se alimentavam de ratos e outros mamíferos, tiveram que se adaptar para poder sobreviver. Ficaram mais leves e elásticas para facilitar a caça às aves, no topo das árvores.

O veneno, que ficou mais poderoso, é fatal para o homem. Se for picado e não receber soro, em três horas, as toxinas podem causar paralisia e falência dos rins. Especialistas do Instituto Butantan pesam, medem e registram cada espécime capturado. A maioria das cobras da ilha já recebeu um chip e é monitorada.

A Jararaca-Ilhoa está criticamente ameaçada de extinção pelas peculiaridades do habitat. Ela se reproduz menos e, por não existir diversidade genética necessária na ilha, as cobras cruzam com exemplares da própria família, o que resulta em filhotes com anomalias.

Num trabalho inédito, os especialistas estão retirando sêmem das serpentes que encontram na ilha, para testar em Jararacas-Ilhoas que estão em laboratório, no  Butantan, um processo difícil, demorado e delicado.

Para o professor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP Ricardo José Garcia Pereira esse trabalho conjunto com a Universidade de São Paulo abre perspectiva para uma troca de material genético entre a população que vive na natureza e as cobras criadas em cativeiro, base de qualquer programa genético de conservação de uma espécie.

As substâncias encontradas no veneno destas jararacas também estão sendo estudadas para a criação de novos medicamentos. “O meu sonho é que a espécie deixe de ser criticamente ameaçada de extinção com nossos trabalhos com a reprodução”, diz a médica veterinária Kalena Barros da Silva. O animal foi tema de uma série no Jornal da Band, veja ou reveja em: www.band.com.br/jornaldaband.

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